Comentei sobre as faltas do senador Fernando Collor de Mello (PTB) e a preocupação do seu partido em relação ao assunto em postagem anterior. Collor entrou em contato com este blog para comentar o assunto. Tenho discordâncias com o senador petebista. Vejo as estatísticas de presenças e ausências como algo importante e não apenas como “números frios”. Eles dizem muito e podem sim servir de base para várias reflexões. Claro que entendo que não é o único mecanismo para se medir a qualidade do trabalho de um parlamentar.

Todavia, presenças e ausências precisam ser divulgadas e questionadas. Afinal, diante do alto custo que o país tem com seus representantes eleitos é natural as indagações sobre os benefícios, ainda mais em um momento como este em que o Brasil passa por uma crise de representatividade, ética e política. Crise esta que tem fomentado as discussões sobre reforma política, por exemplo.

Porém, mostro aqui os argumentos do senador.

De acordo com ele, há “insistentes especulações em torno da presença” dele em seu local de trabalho. O senador petebista afirma o desempenho de sua atividade legislativa tanto no escritório em Alagoas quanto a atuação como líder do bloco União e Força, no Senado Federal.

Em nota, Collor ressalta que as estatísticas em relação à sua presença em plenário pouco ou nada significam, “especialmente na atividade política”. O senador petebista segue: “É mero exercício de informação inócua e distorcida, um frio levantamento quantitativo que não reflete nem revela o lado qualitativo dos trabalhos parlamentares. Com efeito, a atividade legislativa não se resume ao simples voto e muito menos se mede pelo registro de presença”.

Fernando Collor de Mello coloca ainda que “quem acompanha de perto e fidedignamente a dinâmica do parlamento sabe perfeitamente quem de fato atua com efetividade e, mais ainda, quem faz a diferença nas decisões políticas, sejam elas individuais ou institucionais. Sabe também distinguir o simples ato de registrar eletronicamente uma presença, num determinado momento do dia, da autêntica produção, participação e influência nas decisões da Casa”.

O senador – portanto – não nega as ausências. Afirma – entretanto – que estas não podem servir de argumento para avaliar a qualidade de seu trabalho. Diz ainda que o controle estatístico – palavras de Collor, por meio de assessoria – servem tão somente para omitir ou disfarçar o principal: “o trabalho realizado na presidência de comissões; a promoção e a condução de audiências públicas, seminários e foros de debates; a proposição de soluções, agendas e reformas maiores; a fiscalização de políticas públicas e de atos do Executivo; a cobrança e abordagem de temas relevantes por meio de pronunciamentos, falas e comunicados; a publicação de propostas concretas e a iniciativa de matérias relevantes”.

“E tem mais: a participação em audiências internas e externas; o exercício da liderança de um partido e de um bloco parlamentar; a presença e a tomada de decisões no Colégio de Líderes; o favorecimento e a consecução do diálogo, do entendimento e da articulação político-partidária com governos, poderes e órgãos públicos; a obtenção de recursos orçamentários para estados e municípios; a representação institucional em foros e eventos internacionais; o reconhecimento interno do trabalho realizado, entre tantas outras atribuições de peso inerentes à atividade de um parlamentar, e que de fato interessam à sociedade. Se assim não fosse, o senador Fernando Collor não teria sido incluído nos últimos anos na relação ‘Os Cabeças do Congresso’, promovida pelo DIAP”, finaliza a nota.

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