Na última semana, foi divulgada pelo ministro Teori Zavaski, do Supremo Tribunal Federal (STF), a lista de políticos que devem ser investigados por meio de inquérito policial, segundo avaliação do procurador-geral da República, Rodrigo Janot. Foram apontados 34 deputados e ex-deputados e 12 senadores. Dentre eles, os três senadores alagoanos – Renan Calheiros (PMDB), Fernando Collor (PTB) e Benedito de Lira (PP) – e o deputado federal Arthur Lira (PP).
A citação dos parlamentares alagoanos não foi exatamente uma surpresa, pois seus nomes já haviam sido pontuados pela imprensa durante os últimos meses de cobertura jornalística. Mas a população alagoana reagiu com certa indignação ao suposto envolvimento de seus maiores representantes em Brasília com atos de corrupção na Petrobras. Afinal, mais um capítulo político que leva o nome de Alagoas para as páginas policiais da imprensa nacional.
Até Ronaldo Lessa (PDT), deputado federal em primeiro mandato e líder da bancada alagoana no Congresso Nacional reconhece que o envolvimento de parlamentares alagoanos não é bom para ninguém. “Não é bom para Alagoas, nem para eles. É uma notícia que não agrada a ninguém”. Mas o deputado aproveita para esclarecer: “É bom lembrar que três senadores e um deputado de Alagoas serão investigados e que a autorização para investigar ainda não os torna réus”.
A citação de Renan Calheiros, presidente do Senado Federal, abre precedente para uma crise política e institucional de dimensões inimagináveis. Verdade que nenhum dos senadores e deputado alagoanos são réus e nem tampouco estão condenados, mas o envolvimento deles reflete na imagem de Alagoas para o país. Tão preocupante quanto o nome dos parlamentares em lista de investigados, são os reflexos políticos dos desdobramentos a partir de agora.
ALIANÇA AMEAÇADA
Afinal, quem diria que menos de seis meses após o resultado das últimas eleições gerais, o senador Renan Calheiros e a presidente Dilma Rousseff (PT) já não estariam mais em lua de mel? A possibilidade era tão remota que não foram poucos os prefeitos, vereadores e candidatos à Assembleia Legislativa e à Câmara dos Deputados que declararam seu apoio ao filho de Calheiros, crentes na perenidade da aliança.
Renan Filho (PMDB) foi eleito ainda em primeiro turno e muito deve às políticas públicas implantadas pelo Partido dos Trabalhadores (PT), à popularidade da presidente Dilma em Alagoas e ao “alinhamento político” entre o senador Renan Calheiros e o Palácio do Planalto. Vale lembrar que na mesma esteira se reelegeu Fernando Collor (PTB), senador federal.
Apesar de ser prematuro afirmar que Calheiros ensaia um distanciamento definitivo do Palácio do Planalto, a verdade é que desde que o nome do presidente do Poder Legislativo Federal vazou para a imprensa com possível implicação com o esquema de propinas da Petrobras, que a relação com a presidente parece ter azedado.
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