A morte de Divaldo Suruagy também mobilizou a classe política de Alagoas e o velório do ex-governador realizado neste domingo (22) no Palácio Floriano Peixoto, no Centro, virou um encontro de autoridades políticas. Por mais diferenças de linha ideológica que existisse entre os parlamentares presentes, todos foram convergentes ao destacar a força política e o valor que Suruagy possui dentro da política alagoana.
Sua atuação em todos os cargos que um político poderia passar foi um dos principais destaques entre as autoridades presentes e que conversaram com a imprensa. O ex-vice-governador de Alagoas, José Thomaz Nonô destacou que ele foi o maior político de sua época e que conseguiu viver tudo o que um político poderia viver. “É com tristeza que venho ao velório de Suruagy. Ele foi um político expressivo que conhecia Alagoas como ninguém e conseguiu viver tudo que um político pode viver. Foi da glória absoluta ao ostracismo total”, declarou.
O ex-governador do Estado, Ronaldo Lessa, chegou ao velório emocionado e relembrou de sua relação política com Suruagy. Lessa foi deputado estadual na década de 80 e foi eleito governador em 1998 após o último mandato de Suruagy.
“Por ter sido oposição não fecho os olhos para os feitos dele. O Suruagy foi referência em dois pontos na política do Estado: na habitação, construindo diversos conjuntos populares, tendo firmeza á frente do governo em épocas difíceis, e também fez grandes obras com construção de estradas deixando um legado para Alagoas. Tenho muito respeito pela pessoa que ele era e pela família”, disse.
O prefeito de Maceió, Rui Palmeira falou sobre o legado deixado por Suruagy para a política alagoana e o definiu como leal, sério e simples. “Tive alguns encontros com ele no ano passado, acho que o último foi em fevereiro deste ano. Ele já estava bastante debilitado por conta da doença, mas sempre estava muito ligado à política, querendo saber sobre a prefeitura de Maceió e o governo do estado. É uma perda grande”, lamentou Rui.
O governador Renan Filho chegou ao Palácio Floriano Peixoto ao lado do secretário do Gabinete Civil, Fábio Farias, e depois de prestar solidariedade á família falou à imprensa destacando que a morte do ex-governador representa uma grande perda para a política de Alagoas. “Foi uma honra desfrutar dos momentos de convívio com Divaldo Suruagy. Alagoas se despede de um filho querido, que deixa um legado de trabalho, fruto de uma vida toda dedicada à política”, completou.
Na noite de ontem, o ex-governador Teotonio Vilela Filho e o senador Benedito de Lira estiveram presentes ao velório. Os familiares agradeceram à Vilela a comenda Marechal Deodoro concedida a Suruagy em 2014.
A MORTE
O Ex-governador lutava contra um câncer no estômago e chegou a ficar internado no hospital Sírio Libanês em julho do ano passado. O problema de saúde o fez desistir da candidatura a deputado estadual. Ontem durante a tarde ele sofreu uma parada respiratória e chegou a ser socorrido, mas acabou falecendo a caminho do hospital Arthur Ramos.
A notícia de sua morte gerou grande repercussão no meio político. O governo do Estado e a prefeitura de Maceió decretaram luto oficial de três dias pela morte.
VIDA POLÍTICA
Suruagy foi prefeito de Maceió (1965 a 1970), deputado Estadual (1971 a 1973), deputado Federal (1979 a 1983 e 2001 a 2002), duas vezes senador da República (1987 a 1990 e 1990 a 1995) e três vezes governador de Alagoas (1975 a 1978; 1983 a 1986 e 1995 a 1997).
No último mandato foi eleito com o melhor percentual entre os governadores do Brasil, com 81% dos votos, mas sua vida política sofreu um revés. Filiado ao PMDB, depois de ter passado pelos partidos: Arena, PSD e PFL. Seu terceiro mandato se estabeleceu dentro de uma crise político-financeira e econômica no Estado.

O setor açucareiro com algumas usinas falindo, a Salgema sem produção, o atraso constante no pagamento do servidor público, o Programa de Demissão voluntária – PDV, as múltiplas greves e os escândalos dos precatórios que acabaram causando o afastamento de Suruagy do governo.
Divaldo Suruagy que nasceu em São Luís do Quitunde e era economista e historiador formado na Universidade Federal de Alagoas e deixa quatro filhos.



















