Um acalorado bate-boca entre os deputados Galba Novaes (PRB) e Luiz Dantas (PMDB), presidente da Assembleia Legislativa de Alagoas (ALE), causou surpresa e deixou revoltada parte dos parlamentares que participaram da sessão ordinária desta terça-feira (10).

Após usar a tribuna para criticar, mais uma vez, a falta de estrutura da Casa, o deputado se irritou ao ter a palavra "cassada" por Dantas. Ao ouvir do peemedebista que era "prolixo até para concluir seu pronunciamento", com o dedo em riste, Novaes esbravejou diante de colegas perplexos, enquanto o presidente, também visivelmente irritado, garantia que os requerimentos do colega seriam respondidos pela Mesa Diretora.

Assim que deixou o plenário, em protesto, Novaes foi duramente criticado. Antonio Albuquerque (PRTB) cobrou que a Mesa adotasse as "reprimendas necessárias que o Regimento Interno assegura" contra Galba: "Nessa Casa nunca se viu tamanha grosseria. Foi uma postura de falta de educação com os representantes eleitos pelo povo. Aqui não é espaço para picadeiro".

Em aparte, outros deputados também se solidarizaram com o presidente da ALE, a exemplo de Dudu Hollanda (PSD) e Ronaldo Medeiros (PT): "O que vimos aqui foi um desrespeito ao Regimento e ao povo de Alagoas, e não pode ficar impune". Ao se solidarizar, Edival Gaia (PSDB) chegou a chamar Novaes de "demagogo". Já Marcelo Victor (PROS) criticou a "fúria e virulência inexplicáveis e desmotivadas" do parlamentar, sugerindo que o incidente seja discutido em uma reunião de líderes.

Luiz Dantas afirmou que irá reunir os líderes e adotar as medidas necessárias. "Ele (Galba) teve o comportamento de uma criança de quem foi tirado um confeito", desabafou.

Alijado

Em conversa com a imprensa após deixar o plenário, Novaes confirmou ter saído da sessão em protesto. "Há vários acordos para me alijar dos processos", disse, se referindo aos momentos em que teve a fala cortada, as discussões em torno da formação das comissões e até a eleição - marcada para quinta-feira, 12 - para o cargo de primeiro secretário, vago com a renúncia de Ricardo Nezinho (PMDB).

"Não participo de nada. Não sei os tipos de acordos feitos. Respeito à Mesa, mas não comprei voto nem vim aqui para ser catenga e ficar balançando a cabeça pra tudo", afirmou. O deputado também voltou a criticar a falta de estrutura da Casa: "Não tem papel, não tem água para beber. Não estou aqui para brincar... A decepção que tenho tido aqui é muito grande", lamentou.

Ainda em plenário, Novaes havia se queixado dos "sorrisos debochados" dos colegas durante suas cobranças: "Não vou servir de motivo de chacota ". Instigado por Albuquerque a dar "nome aos bois", ele disse preferir não expor ninguém.

Comissionados

Antes do início da sessão ordinária desta terça-feira (10), Novaes divulgou, junto à imprensa, a lista dos 25 servidores comissionados lotados em seu gabinete. O parlamentar também requereu a presidência a divulgação da relação de todos os assessores comissionados, com seus respectivos cargos e lotações. "Mostrando assim o propósito desta Casa em agir com a transparência instituída através da Lei de Acesso à Informação", justificou.

Leia maisTensão no plenário: Albuquerque cobra que Mesa tome medidas contra Novaes por quebra de decoro