“Tenho convicção que o orgulho que tenho da minha família não vou perder”. Com essa frase, o deputado estadual Bruno Toledo (PSDB) resumiu suas expectativas em relação às investigações do Ministério Público Estadual (MPE) envolvendo seu pai, o ex-presidente da Assembleia Legislativa de Alagoas (ALE) e atual conselheiro do Tribunal de Contas, Fernando Toledo.
O parlamentar foi entrevistado na manhã desta quinta-feira (05), no programa Voz do Povo, capitaneado por Luis Vilar, na Rádio Jornal AM, e não se esquivou dos assuntos espinhosos, a exemplo das denúncias que pesam sobre o ex-presidente do Poder Legislativo e sobre servidores comissionados lotados em seu gabinete.
“Tenho orgulho dos ensinamentos dos meus pais. Na minha casa nunca tive a polícia na porta e meu pai não responde a nenhum processo. Ele ainda não foi acusado de nada”, frisou o tucano, fazendo questão de lembrar que, embora se aconselhe com os pais – a mãe dele, Lucila Toledo, é prefeita do município de Cajueiro - seu mandato será independente: “O mandato é meu, a história é minha daqui para frente”.
O deputado lembrou ainda que Fernando Toledo “tirou a Casa das páginas policiais na época da Operação Taturana” e deixou claro que seu perfil é diferente. “Meu pai tem o perfil de delegar demais, de não revidar, optar pelo silêncio... Mas, eu vou optar sempre por me posicionar”.
Sobre os supostos desvios na folha de pagamento durante a gestão de Fernando Toledo, denunciados pelo MPE, Bruno Toledo pediu que a sociedade refletisse antes de fazer juízo de valor: “Se esse desvio milionário aconteceu, o dinheiro tem que estar em algum lugar. Aplicado em um bem móvel, imóvel, conta no exterior... Acho que Fernando Toledo nunca foi questionado em relação a isso: onde foi parar esse recurso? Qual o aumento de patrimônio dele? Não há”, afirmou.
Questionado por um ouvinte sobre o que pensava a respeito da afirmação que teria sido feita por outra ouvinte em relação a Fernando Toledo, o parlamentar foi incisivo: “Se alguém me acusasse de ladrão, eu processaria”.
Comissionados no Diário Oficial
Em relação aos servidores nomeados por ele, Bruno Toledo contou que, na edição do Diário Oficial do Estado de hoje divulgou todos os comissionados lotados em seu gabinete, com as devidas funções e remunerações – que estão especificadas pelos códigos SP18 e SP23. O parlamentar nomeou 21 dos 25 cargos a que tem direito e explicou que o cargo SP18, ocupado pelo chefe de gabinete, gira em torno de R$ 6 mil brutos e o SP23, onde estão os demais, cerca de R$ 3.300 brutos.
Ele também defendeu a polêmica servidora que, segundo denúncias do MPE, teria recebido, juntamente com os pais, milhões da folha de pagamento da Casa. “Uma hora a chamam de fantasma, outra hora de vassoura de ouro. Primeiro é preciso saber de que a estão acusando”, desabafou, afirmando que a funcionária devolveu, por livre e espontânea vontade, R$ 49 mil ao Poder Legislativo após ser informada que a quantia tinha sido depositada erroneamente em sua conta bancária. A devolução foi divulgada e questionada pelo Ministério Público.
