O senador Renan Calheiros (PMDB) esperava “mares calmos” para retornar á presidência do Senado Federal como sendo indicação de seu partido, mas – diante dos acontecimentos que tiraram o PMDB do imobilismo – teve que antecipar sua candidatura e articular até o último minuto em busca dos 49 votos que lhe renderam a vitória.
Vale lembrar: os aliados de Calheiros e o próprio senador peemedebista, nas conversas de bastidores silenciosas e longe dos holofotes da mídia, contabilizavam mais de 60 votos diante do favoritismo propagado.
Luiz Henrique (PMDB/SC) não venceu, mas incomodou. Não tirou de Renan Calheiros a vitória, mas revelou uma margem muito mais apertada. Mostrou que dentro do Senado Federal há também uma resistência ao nome de Calheiros. Mais ainda: um grupo que “migrou” para a candidatura de Luiz Henrique na tentativa de deixar o Senado mais distante das influências do Executivo. E olhe que Luiz Henrique é também da base aliada.
Tão peemedebista quanto...
É o caso – por exemplo – dos votos dos tucanos. O PSDB “fechou” com o catarinense muito mais por “rejeição” ao nome de Renan Calheiros; e até por enxergar no enxadrista do PMDB alagoano um aliado de primeira grandeza para que o Executivo construa uma agenda de seu interesse dentro do Congresso Nacional.
Em função disto, Renan Calheiros pode contar com o apoio do PT para se eleger presidente e superar as adversidades que poderiam surgir. Mas, não há almoço grátis. Renan Calheiros já se mostrou um aliado influente importante no ano passado. Garantiu a nomeação de Vital do Rêgo para o Tribunal de Contas de União e agiu como se esperava na condução da votação da matéria da meta fiscal.
Agora, o peemedebista será o condutor de importante agenda do Senado Federal, que incluiu diversas discussões de interesse nacional como a reforma política. Calheiros – em seus discursos – garantiu independência a Casa. Disse, além disto, que a disputa com Luiz Henrique teria ficado no passado.
“A disputa agora já é passado e todos nós ansiamos pelo futuro. Serei presidente de todos os senadores, como demonstrado nos últimos anos, desejo renovar meu firme compromisso pela autonomia e independência do Senado”, declarou. Que assim seja...
Porém, o tucano Aécio Neves (PSDB) cutucou Renan Calheiros. Afirmou que o presidente do Senado Federal devia mais agradecimento à bancada petista do que a seu próprio partido, devido à candidatura avulsa de Luiz Henrique. Seguiu afirmando que esperava que o peemedebista alagoano fosse agora “mais presidente do Legislativo e menos aliado do Executivo”. Isto mostra o que Calheiros deve enfrentar no comando da Mesa Diretora.
Não vai ter folga! Muitos acusam Renan Calheiros de fazer do Congresso “um puxadinho do Palácio do Planalto”. O clima no Senado Federal vai pesar logo no início quando a oposição ao governo de Dilma Rousseff (PT) pretende emplacar várias Comissões Parlamentares de Inquérito. Já há movimentação – por exemplo – para se abrir mais uma que tenha como objetivo de investigação os casos envolvendo a Petrobras.
Como presidente do Senado Federal, Renan Calheiros também vai lidar com o aprofundamento das investigações da Operação Lava Jato, que – segundo bastidores políticos – deve impulsionar uma agenda a parte no Legislativo. Aliados e adversários estarão de olho nas posturas adotadas por Renan Calheiros.
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