Com trajetória de um cometa, o delegado Kelmann Vieira (PMDB) caiu na política a partir do incentivo de sua
categoria e, principalmente, de sua esposa e deputada estadual, Flávia Cavalcante. Vereador de primeiro mandato, eleito na 13ª colocação com mais de 6 mil votos, Kelmann assumiu a presidência da Câmara de Vereadores de Maceió, após uma disputa acirradíssima que quase vira um dos casos policiais com o qual ele estava acostumado a lidar no interior do Estado. E vai lidar com os problemas da política tradicional e os outros causados pelo clamor da sociedade por transparência.
Nesta entrevista, o novo presidente da Câmara fala sobre as perspectivas de sua gestão, diz querer ser interlocutor em favor da união de ações do prefeito Rui Palmeira (PSDB) e o governador Renan Filho (PMDB) e classifica a reportagem que denunciou o excesso de faltas que ainda ameaça mandatos no Legislativo de Maceió como um divisor de águas promovido pelo Jornalismo do CadaMinuto Press, que provocou discussões jurídicas, o aumento da frequência nas sessões ordinárias e a devolução de quase R$ 140 mil em salários descontados em dezembro.
CadaMinuto Press - O senhor esperava chegar à Presidência da Câmara de Maceió em uma trajetória política tão rápida?
Na verdade, eu nem esperava ir para a política. Sou delegado de polícia há 11 anos e nunca me imaginei
na política. Mas depois que casei com uma política [Flávia Cavalcante], com quem sou casado há seis anos. E nos últimos três anos surgiu um movimento, dentro da categoria de delegado de polícia, que concluiu que precisava de um representante. E começou a ser ventilado o meu nome, porque a gente sempre teve um bom trânsito com todos os grupos que existem na Polícia Civil. Aí, pelo fato de eu ter uma esposa política, os próprios profissionais da área começaram a ver o meu nome como positivo para ser candidato em Maceió. Aquela ideia cresceu e a gente foi tomando gosto pela coisa. Foi quando o PMDB, o senador Renan Calheiros, viu o meu nome como um bom quadro para Maceió, me estimulou e eu topei a ideia. Mas, de início, a gente não esperava que as coisas acontecessem tão rápido assim. Tudo foi muito rápido, tem sido um aprendizado, mas também uma responsabilidade muito grande. É uma área nova, que ainda aprendo dia a dia.
CMP- Como foi atuar nos redutos políticos bem demarcados de Maceió e entrar no imaginário do eleitor maceioense como uma opção para a Câmara?
Na verdade, nos últimos anos, minha imagem foi sempre associada a grandes casos de crimes políticos com repercussão no Estado de Alagoas, onde fui chamado para atuar como delegado especial. E, graças a Deus, a gente conseguia, em todos esses casos, elucidar o crime. Então, meu nome, como delegado de polícia já era um pouco conhecido da população de Alagoas. Para se ter uma ideia, não temos um bairro ou região onde a gente teve a concentração maior de votos. Fomos votados em todas as áreas de Maceió. No dia a dia, percorrendo alguns bairros, a gente nota o predomínio de algumas lideranças políticas, que se incomodam quando a gente chega. Alguns deputados que a gente conhece dizem que a eleição de Maceió é, às vezes, muito mais difícil que eleição de deputado. Porque aqui tudo é muito acirrado. Mas não tive um problema muito sério porque meus votos foram pulverizados em muitas regiões. Me dou bem com todos, respeito meus colegas e sei onde têm trabalho nas comunidades. E procuro não entrar no espaço político onde, há muito tempo, eles trabalharam.
CMP - Qual a avaliação de sua participação na Mesa anterior e da gestão do ex-presidente Chico Filho?
Assim como eu, o Chico está no primeiro mandato. Mas vem de uma família tradicional na política de Maceió. Creio que tem mais experiência do que eu. Ele tentou fazer o possível. . A gente sabe que não é fácil. Houve o desgaste da classe política. E uma das coisas que mais me angustiam é a gente ter que estar provando, a cada dia, que a gente não é igual a muitos que não honram o voto que ganham. Mas a maior dificuldade que a gente enfrenta no dia a dia é resgatar essa credibilidade que anda perdida. E a gente sabe que o desafio não é fácil de superar. Porque a classe política, em todo o País, quando a gente espera que melhore, sempre surge um novo fato que faz com que a classe se torne ainda mais desgastada perante a opinião pública, mas a gente sofre com esse desgaste. Mas tento fazer o meu melhor.
CMP- Quais os desafios desta atuação legislativa?
A gente sabe que o mandato de vereador é um pouco limitado. Muitas das ações que a população espera de nós têm que ser realizadas pelo Executivo. E, se o Executivo não leva essas ações, o vereador fica um pouco limitado em sua atuação. A gente se ressente muito dessa crise atual que vive Maceió e o prefeito Rui, porque muitas das indicações que a gente colocou e aprovou aqui, ainda não puderam ser executadas. E a comunidade cobra muito da gente. Porque é a gente que vive o dia a dia na comunidade. E ela não entende bem o papel do legislador. Se não chega o serviço, o desgaste sofrido é maior para o Legislativo.Tem sido difícil estes dois primeiros anos. Mas quero terminar este mandato para um dia ficar marcado na história que eu fiz o melhor de mim. Quero dignificar cada voto que recebi.
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