O tom de despedida marcou o discurso do ex-governador Teotonio Vilela Filho (PSDB), que comandou o Estado por oito anos, ao passar o destino do Executivo para Renan Filho (PMDB). Vilela disse que deixava o Palácio República dos Palmares pela porta da frente “com a consciência de que deixou o Estado melhor”.

Vilela – que governou enfrentando críticas da opinião pública –classificou sua gestão como feita por “guerreiros alagoanos”.  “Não era o aplauso fácil, nem os holofotes que me atraiam, mas os objetivos de melhorar a vida dos alagoanos”. O tucano disse que “trabalhou duro e disposto até o último dia”.

De acordo com o governador, a Era Tucana que chegou ao fim neste 1º de janeiro “cumpriu com responsabilidade” a missão que foi dada pelos alagoanos durante dois mandatos. “Não foi fácil. Moveram-me os princípios de Zumbi, Marechal Deodoro da Fonseca, Floriano Peixoto e Graciliano Ramos”.

O ex-governador fez agradecimentos à equipe e lembrou dos dois vices-governadores que caminharam ao seu lado nos dois mandatos: o peemedebista José Wanderley e José Thomaz Nonô (Democratas). O ex-chefe do Executivo também elogiou a atuação do Tribunal de Justiça do Estado de Alagoas e do Ministério Público durante os oito anos de sua gestão.

Vilela – que não participou do pleito eleitoral de 2014 por decisão pessoal, não concorrendo ao Senado Federal como era esperado pelos bastidores – parte para um “descanso” ao lado da família, que também foi lembrada em seu discurso de despedida.

O tucano ainda lembrou Mahatma Gandhi e do menestrel das Alagoas, Teotônio Vilela. “Não há realidade que não tenha nascido de sonho”. Vilela Filho encerrou desejando sorte ao futuro governador.

Novo discurso

O governador Renan Filho (PMDB) voltou a discursar no Palácio República dos Palmares. Após dar posse ao secretariado, frisou que estava “delegando” a cada um dos escolhidos para compor o primeiro escalão “parte da tarefa de mudar Alagoas”. “Devemos derrubar estruturas viciadas. Cada um de vocês (os secretários) terá a tarefa de comandar esse exército de servidores”.

O peemedebista prometeu uma gestão de transparência e proximidade. “Será um governo ético e livre de corrupção e nepotismo. Faremos um governo livre de nepotismo por parte do governador e dos secretários”. Renan Filho pediu aos secretários que observassem parentescos ao nomear seus comandados e destacou: “governo não deve ser de secretários trancados em gabinetes. A campanha foi feita ouvindo a população e aprendemos que o povo tem muito a dizer e a nos ensinar. Quem não entende isso, não entende o que é democracia”.

De acordo com o governador, os próximos quatro anos serão de idas às ruas para ouvir a população. “Fazer muito com pouco será nosso desafio”. Renan Filho ainda chamou a atenção para a importância do diálogo com a bancada federal. “Vamos utilizá-la para alavancar recursos. Alagoas não pode mais tomar bola nas costas toda hora”. Por “bola nas costas”, o governador quis mencionar os recursos que são devolvidos por falta de projetos. “Estamos aqui para servir alagoanos. Devemos dar mais atenção às críticas que aos eventuais elogios. E tudo urgente, tudo para ontem. Acostumem-se”.

Renan Filho também comentou sobre a crise financeira que é esperada para este ano e as dificuldades de incrementar receita. “Crise significa oportunidade. Alagoas é um Estado onde quase tudo está por fazer. Vou atrás de investidores”, encerrou.