Há oito anos, quando o ex-governador Teotonio Vilela Filho (PSDB), assumiu o governo do Estado de Alagoas anunciou um choque de gestão e falava das dificuldades financeiras enfrentadas, além da necessidade de cortes de custos.

Vilela reduziu o número de pastas do governo de seu antecessor: o ex-governador Ronaldo Lessa (PDT) e comprou uma briga com o funcionalismo público em virtude da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF).

Oito anos depois, Alagoas “estourou” o limite da Lei de Responsabilidade Fiscal e o “cobertor ainda permanece curto” para a execução de investimentos essenciais para alavancar o Estado, o que por si só já apresenta desafios para a futura administração. Houve ganhos: o ajuste fiscal, a redução de custos, obras estruturantes como a AL-101 Sul, dentre outras. Todavia, muitas perdas de oportunidades e promessas não cumpridas.

O estaleiro é um exemplo de promessa não concretizada, a contratação de mil policiais por ano é outra, e o fato da Educação não ter alcançado os resultados esperados. Eis (não tudo, mas uma parte!) o que faz com que, quase uma década depois, o novo governador assuma com um discurso semelhante em relação à necessidade de corte de gastos e com promessas bem semelhantes às já feitas em recente passado: priorizar Educação, atrair mais investimentos, incrementar a receita, aumentar o efetivo policial, combater a criminalidade, mudar a situação da Saúde e por aí vai...

O que pensa Renan Filho para os próximos quatro anos e como pensa em concretizar promessas de campanha? O peemedebista – em seu discurso de posse – frisou que esta gestão terá que ser especialista em fazer mais com menos. Ao falar em corte de gastos, deixou claro que o objetivo é construir um Estado mais “sólido e funcional” que seu antecessor.

Muitos dos que marcham ao lado de Renan Filho já criticaram Vilela por ele adotar a filosofia de um Estado mínimo traduzido no jargão “neoliberal”. Todavia, o atual governo não terá ampliação no número de pastas, nem no de comissionados. Renan Filho fala em reduzir ainda mais o tamanho da administração estadual: “nosso governo vai diminuir o número de secretarias, de comissionados para construir um Estado mais sólido e funcional. Não há espaço para benesses e ostentações”.

O governador ainda prometeu um combate sem trégua à corrupção, mesmo tendo – em seu secretariado – uma pasta, a de Cultura!, comandada por uma gestora que foi alvo de diversas denúncias feitas pelo Grupo de Combate à Corrupção Eleitoral (Gecoc). Seria o caso de perguntar: Renan Filho confia mais na inocência de Melina Freitas – que não foi julgada ainda! – que na solidez das acusações do órgão investigador? Mais eis que também há confiança no trabalho que é feito pelo Gecoc. Tanto é assim que o Secretario de Defesa Social é o “ex-comandante” do Grupo: Alfredo Gaspar de Mendonça.

No entanto, é óbvio que se torce para que o combate à corrupção seja de fato diuturno, efetivo e que tenhamos um governo vigilante. Afinal, como diz o próprio governador do PMDB: “a corrupção é tão criminosa quanto à pistolagem”. Não é por acaso que, em muitos casos, andam até juntas. Inclusive, muitos personagens políticos – que ainda atuam em Alagoas e esperam a mão aberta do governo – poderiam escrever verdadeiras monografias sobre esta junção temerosa entre corrupção e pistolagem. Uma monografia cuja tinta da caneta é sangue!

Estes mesmos personagens não estiveram distantes do governo anterior. Circulam qualquer poder em busca de benesses. Cabe ao governador fechar a torneira e focar no bem comum. Que Renan Filho consiga. Afinal, todos os alagoanos estão no mesmo barco. Sendo assim, quanto melhor, melhor. Nada daquele sentimento mesquinho do quanto pior, melhor.

Que Renan Filho também saiba ouvir as críticas honestas que surgem ao longo da caminhada. Vale lembrar Santo Agostinho: é preferível os que criticam porque corrigem, aos que adulam porque corrompem. 

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