O Projeto de Lei que autoriza o Poder Executivo a destinar R$ 10 milhões para o aumento de capital social da Companhia de Saneamento de Alagoas (Casal) causou polêmica na sessão desta quarta-feira (03), na Assembleia Legislativa. Os deputados criticaram a ausência de informações, por parte do Poder Executivo, acerca da aplicação dos recursos.
Isnaldo Bulhões (PDT) solicitou o adiamento da matéria e propôs em plenário uma emenda para que o aporte de capital seja destinado apenas para investimentos em contratos firmados com a companhia.
Em aparte, os petistas Judson Cabral e Ronaldo Medeiros informaram que parte dos recursos seriam utilizados para o pagamento de débitos da Casal com a Eletrobras Alagoas. A informação teria sido prestada aos parlamentares pelos próprios técnicos da concessionária de energia elétrica.
“O governo do Estado está querendo pagar e a Assembleia não pode ser um óbice para que esse acerto de contas seja realizado”, argumentou Medeiros, apelando para que Bulhões retirasse a emenda para que a tramitação da matéria ocorresse de modo ágil.
Também em aparte, o líder do governo, Edival Gaia (PSDB) demonstrou irritação com a afirmação de Medeiros e disse estar “pasmo” com a informação de que os recursos seriam para o pagamento de dívidas com a Eletrobras, mas em nenhum momento esclareceu sobre a finalidade do dinheiro. O parlamentar aproveitou ainda para criticar a concessionária: “A Eletrobras vive atrasando o desenvolvimento de Alagoas”.
Medeiros acusou o líder o governo de defender o calote da Casal na Eletrobras e disse que o débito da companhia é bem maior que os R$ 10 milhões em questão, girando em torno de R$ 22 milhões. “O que eu defendo é que uma parte seja pago. Eu não defendo o calote. Não podemos ser contra aquilo que é bom para Alagoas, que é bom para a Casal, que paga, e para Eletrobras, que recebe os recursos”, frisou.
Mesmo com os argumentos do colega, Bulhões não voltou atrás: “Não enxergo urgência nessa matéria. A Eletrobras não vai interromper o fornecimento por conta de uns dias a mais ou a menos. O Projeto é obscuro, é tudo de boca... Não está especificado no projeto para que é esse dinheiro... A partir do momento que governo justifique onde será aplicado o recurso, posso me render, caso contrário farei o possível para retardar a votação”, concluiu.
