A violência em Alagoas foi um dos temas predominantes na sessão desta quinta-feira (27), na Câmara Municipal de Maceió. Wilson Júnior (PDT) iniciou seu pronunciamento afirmando que, segundo comentários de bastidores, o vereador Kelmann Vieira (PMDB) - eleito para presidir o parlamento mirim no biênio 2015/2016 - é um dos nomes cotados para assumir a Secretaria de Defesa Social no governo de Renan Filho (PMDB).
Wilson Júnior disse que ficava feliz com a possibilidade de ter o colega à frente da segurança pública em Alagoas e criticou o que ele considerou “inversão de valores” em relação ao trabalho desenvolvido no Estado pelas polícias Civil e Militar.
Em sua fala, Kelmann não confirmou – nem desmentiu – os boatos, mas afirmou que todos os dias ficava indignado diante da forma como a segurança pública foi conduzida no governo de Teotônio Vilela Filho (PSDB). O vereador também criticou o Plano Brasil Mais Seguro em Alagoas e destacou que Vilela estava entregando “uma bomba relógio ativada para o novo governador”.
Enxugando gelo
Voltando seu olhar para o Estado e até para o País, Wilson Júnior também elogiou duas operações policiais realizadas hoje, uma em Penedo, onde o 11º Batalhão de Polícia Militar (BPM) prendeu várias pessoas, entre elas o jovem Leandro Júnior, considerado um dos traficantes mais perigosos da região e outra em Arapiraca.
O vereador defendeu ainda a operação policial realizada em Guaxuma, onde cinco acusados de assalto foram mortos. “A polícia respondeu com bala porque recebeu bala”, afirmou, frisando que não há amparo para os policiais que colocam a vida em xeque diariamente para proteger a sociedade. “O que acontece é o contrário... No outro dia, ele recebe uma recomendação da Corregedoria e a execração da imprensa”.
Até o Código Penal Brasileiro entrou na “pauta”. Ao repercutir o julgamento nesta quinta-feira dos acusados da autoria material do assassinato do empresário Jair Gomes de Oliveira, o "Grilo", Wilson Júnior criticou o fato de o autor intelectual estar respondendo em liberdade: “Não adianta enfrentar a violência se não mudar as nossas leis. Nosso Código Penal é caduco desde 1940”, afirmou, lembrando que a maioria dos parlamentares não quer mudar as leis porque são bandidos.
O presidente eleito da CMM frisou que é importante que a sociedade e as instituições apoiem as ações policiais e também criticou a Lei Penal: “Nós, policiais, nos sentimos enxugando gelo. Prende um, solta depois, e vem mais três, quatro, cinco... A bandidagem se multiplica, enquanto isso os homens de bem ficam reféns da violência desenfreada”.
O vereador também mandou um recado: “Sempre abordamos a problemática da segurança pública, mas a culpa não é dos profissionais, que estão fazendo o possível. É preciso que todos os poderes constituídos acordem para a realidade: a palavra do bandido não pode ser levada em consideração mais do que a dos órgãos de segurança”.
Ao final da sessão, um representante do Movimento Brasil Livre usou a tribuna para afirmar, entre outras coisas, que o grupo estará vigilante com os desdobramentos da apuração envolvendo o excesso de faltas dos edis às sessões.
