Mesmo com a presença de 18 vereadores em plenário, a apreciação dos vetos do prefeito Rui Palmeira (PSDB) a alguns projetos foi novamente adiada nesta terça-feira, 11, desta vez devido a um pedido de vistas do vereador Silvânio Barbosa (PSB), que terá 72 horas para devolvê-los. Com isso, a pauta de votações da segue trancada na Casa.
O vereador justificou que veio pronto para votar, mas desistiu quando soube do suposto “calote” dado pela Prefeitura de Maceió nos organizadores de quadrilhas juninas e grupos de coco de roda. “Decidi pedir vistas em nome da sociedade. Para garantir que o prefeito resolva o problema, só devolvo os vetos daqui a uma semana”, afirmou, acrescentando que também pretende “garantir” a presença da secretária municipal de Saúde, Sylvana Medeiros, na Câmara, nesta quinta-feira, 13, quando está marcada a prestação de contas de recursos do Sistema Único de Saúde (SUS).
O vereador disse à imprensa ter “ouvido falar” que a gestora não compareceria e aproveitou o momento para dizer que está tentando criar uma Comissão Especial de Inquérito (CEI) – que até o momento conta apenas com a sua assinatura e da Heloísa Helena (PSOL) - para investigar denúncias na área. "A saúde está toda dividida, rateada... Tem entidades que ganham mais de um milhão de convênio só com a saúde", afirmou, elencando outra série e denúncias referentes à pasta.
A fala do vereador deixou o clima tenso em plenário e gerou uma enxurrada de críticas por parte dos colegas, que saíram em defesa de Sylvana. Heloísa Helena destacou que estava entre os profissionais da saúde que respeita profundamente a secretária: "Se tem safadeza em relação a contratos, que o Ministério Público apure. Pela doutora Sylvana eu boto a mão no fogo".
“A partir do momento que se diz que os vereadores estão comendo na Secretaria Municipal de Saúde, eu digo: se vocês estão comendo na mão da secretaria, comam só”, acrescentou Heloísa.
Tereza Nelma também defendeu a gestora e as entidades que recebem recursos públicos, lembrando que “nem os oportunistas de última hora” podem negar que ela – a própria vereadora - tem um trabalho legítimo em Alagoas, disse se referindo a Pestalozzi.
“Ela (Sylvana) é dura porque ela não faz politicagem”, acrescentou Kleber Costa. Os vereadores Zé Márcio, Pastor João Luiz, Eduardo Canuto, Marcelo Gouveia, Fátima Santiago e o presidente da Câmara, Chico Filho, também criticaram o discurso de Silvânio e defenderam a gestão municipal.
“Ele (Silvânio) já teve postos com cargos indicados por ele. Como foram tirados, talvez venha daí a animosidade do vereador com o prefeito”, alfinetou Canuto, classificando as denúncias do colega de “levianas”.
Fátima Santiago lembrou que há poucos meses Barbosa dizia que Rui Palmeira era maravilhoso: “Quem tem problemas pessoais com o prefeito deve resolvê-los frente a frente”. Já Chico Filho cobrou que, ao formular denúncias, o colega “apontasse nomes para não generalizar”.
Estardalhaço
Sobre os pedidos de vistos, o líder do prefeito na Casa, Eduardo Canuto, disse que Barbosa estava aproveitando o momento como "trampolim político": "O estardalhaço, o uso político é a melhor forma de ele chamar a atenção como oposição".
Em relação aos servidores municipais e prestadores de serviço que estiveram hoje na Câmara, Canuto disse que irá levar as reivindicações de todos ao prefeito e que acredita na possibilidade de um entendimento, inclusive em relação à cobrança de R$ 110 mil feita pelos organizadores de quadrilhas e coco de roda a Fundação Municipal de Ação Cultural (FMAC).
Atribuindo o impasse a uma "informalidade administrativa", o líder do governo explicou que a Procuradoria do Município não autorizou o pagamento porque o serviço foi prestado antes que a Fundação respondesse oficialmente sobre a contratação. “Eles não têm como receber. Houve uma solicitação à Fundação, houve a apresentação da proposta, mas os grupos se apresentaram antes de receber uma resposta. Não houve nada documentado”, explicou.
Chico Filho reforçou que os vereadores irão intermediar os conflitos e buscar o entendimento, destacando que a Câmara não poderia fazer mais do que isso, já que o assunto é de responsabilidade do Poder Executivo.

