Quem lembra do vereador Silvânio Barbosa (PSB) no início da atual legislatura percebe sua mudança de posição em relação ao prefeito de Maceió, Rui Palmeira (PSDB).  Hoje, o edil é o “calo” do chefe do Executivo municipal tucano. Foram várias as críticas já feitas ao prefeito de Maceió.

Em meio aos embates, Barbosa agora apontou sua “metralhadora” para a Secretaria Municipal de Saúde e gerou um ambiente tenso na sessão desta terça-feira no Legislativo da capital alagoana.

Alegando a existência de irregularidades na pasta da Saúde, o edil sugeriu – ao usar a tribuna da Casa de Mário Guimarães – uma abertura de uma Comissão Especial de Investigação (CEI) contra  a gestão de Palmeira. Em pauta para o pedido de abertura da CEI, os contratos com entidades, loteamento da pasta, dentre outros pontos. A jornalista Vanessa Alencar trará matéria sobre o mérito no site.  

Resta saber se terá forças (conquistar assinaturas necessárias) para isto, pois o pedido parece ter incomodado colegas vereadores que partiram em defesa da pasta da Saúde, da titular da pasta, das instituições que recebem repasse e do prefeito.  A CEI pode acabar só tendo duas assinaturas: a de Barbosa e de Heloísa Helena (PSOL), que frisou respeitar e muito a secretária, mas foi enfática ao afirma que a Saúde se encontra um caos.

Objeto da CEI a parte, pois se há  fortes indícios de irregularidade estes devem sim ser apurados (então que Silvânio Barbosa os apresente para substanciar suas denúncias) o que entra também como fato curioso é o comportamento “bipolar” do vereador do PSB. Afinal, em 2013, ao falar da gestão de Rui Palmeira, Silvânio Barbosa (PSB), dizia que houve o “implemento de avanços”. A fala está no vídeo aqui.

“Tem obras importantes, ações importantíssimas para o povo carente de Maceió. Esta gestão está fazendo hoje o que é mais importante, cuidando de área de encostas. Eu costumo dizer que Maceió agora está planejada até 2017. Agora, nós enquanto Câmara vamos ajudar o Rui a fazer o que o maceioense deseja”, falava Silvânio Barbosa.

Mas, este ano – por algum motivo – a relação desandou. Deixando de lado os elogios, agora o prefeito de Maceió virou o “Pinóquio” nas palavras de Silvânio Barbosa.  O edil também teve essa intempestiva troca de elogios por críticas na época do ex-prefeito Cícero Almeida, quando Barbosa era prefeito comunitário do bairro do Benedito Bentes.

Ao entrar nas críticas feitas na sessão de hoje, Barbosa manda ver: “falta captopril nos postos de Saúde, mas sobra no gabinete do prefeito”. Uma ironia para dizer que Rui Palmeira está sob pressão. Agora, o vereador do PSB diz que o prefeito não disse a que veio. “Sem controle da gestão” afirma. Uma contraditória opinião se levado em conta o que falava em 2013.

Silvânio Barbosa “detonou” a pasta da Saúde. Cobrou cópia dos contratos para que sejam analisados repasses, cobrou abertura de gabinetes odontológicos e sugeriu até a renúncia de Rui Palmeira.  Tereza Nelma (PSDB) saiu em defesa do gestor e da secretária Sylvana Medeiros.  Nelma defendeu ainda as instituições que recebem repasse – como APAE e Adefal – e cobrou responsabilidade de Silvânio Barbosa.

Medeiros ainda foi defendida por Zé Márcio (PSD) e por Cleber Costa (PT). Mais uma vez – diante das críticas à Saúde – a velha temática das indicações de cargos nos postos entrou em cena.  Cleber Costa diz que “foi convidado para indicar diretores de cinco postos de Saúde, mas que abriu mão e sugeriu escolha técnica”.  A ingerência nos postos por parte de parlamentares-mirins já foi tema de matérias neste blog em passado recente.

O que se viu foi um Silvânio Barbosa isolado no parlamento-mirim. “Faltou decência e cortesia da oposição na hora de receber a secretaria Sylvania Medeiros na visita que fez à Câmara”, emendou a vereadora Fátima Santiago (PP).  O vereador pastor João Luiz (Democratas) também disse não concordar com as críticas.

Mas para Silvânio Barbosa não houve “desrespeito” de sua parte.  Para ele, o prefeito é que falta com o respeito e quanto às críticas à secretaria e à pasta da Saúde diz que “fez seu papel”. 

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