O encerramento das eleições e a confirmação da reeleição de Dilma Rousseff (PT) para a presidência e a eleição de Renan Filho (PMDB) para o governo de Alagoas traz a tona a discussão sobre os rumos do Estado nos próximos anos. A solução para a melhoria dos indicadores que muitos eleitores buscaram ao longo da caminhada política pode ter suas respostas na forma como o novo governo estadual irá traçar projetos para executar obras e outros empreendimentos.

Segundo o cientista político Ranulfo Paranhos, o fato de Alagoas ter escolhido um gestor da base aliada do governo federal por si não resolve os problemas. Para ele, as mudanças necessárias e avanços a serem conquistados dependerão muito mais da composição técnica das secretarias e da elaboração de projetos a fim de angariar recursos junto ao Governo Federal.

Em Alagoas, Renan Filho foi eleito no primeiro turno com 52,16% dos votos válidos. Já Dilma Rousseff garantiu a reeleição e foi a mais votada no Estado neste segundo turno alcançando 62,12% dos votos contra 37% de Aécio Neves. Renan Filho possui também apoio da maioria dos deputados federais e estaduais. 

“Desde o governo FHC o país vem sentindo essa mudança, quando se iniciaram as gestões transparentes. Então não é necessário somente se ter proximidade com o governo federal para o governo estadual ser bem sucedido. O governo precisa apresentar bons projetos para conseguir levantar recursos e assim promover melhorias. Nos últimos anos, o governo vem tratando os estados de forma muito mais institucional e isso fortalece também estados que não são da base a conseguirem apresentar projetos e assim sucesso nas ações”, explicou.

Para o especialista, o novo governante precisa investir em um corpo técnico que consiga auxiliar na elaboração das ideias de acordo com as necessidades. Paranhos cita a presença de Luciano Barbosa na vice-governadoria como importante peça para a construção de um governo mais tecnicista. Ele avalia como positiva sua gestão em Arapiraca e suas passagens em ministérios durante o governo Lula. Vale ressaltar que durante as eleições, Renan Filho citou várias vezes sua predileção por um secretariado mais técnico, priorizando áreas como saúde, educação e segurança pública.

“Precisamos pensar qual será o marco do novo governo. A gestão PSDB não conseguiu fazer um governo que conseguisse sanar os problemas graves no Estado. Mas se formos olhar pelo lado do apoio do governo federal, recebemos muita ajuda, como foi com a segurança pública, sendo escolhidos para implantar um plano de combate à violência, o Brasil Mais Seguro. O que eu vejo é que faltou prezar mais pelo corpo técnico, fazer o alinhamento político até onde não haja comprometimento”, analisa.