A vitória de Dilma Rousseff (PT), reeleita neste domingo (26) presidente do Brasil para os próximos quatro anos, levou os alagoanos às ruas de Maceió. Com bandeiras e palavras de ordem, militantes do Partido dos Trabalhadores se aglomeravam na Rua Barão de Atalaia no Centro da capital.

Desde o início da noite, um grupo de eleitores de Dilma se reuniu para acompanhar a apuração dos votos em Alagoas e aguardavam com ansiedade o resultado que somente começou a ser divulgado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) às 20h, devido o fuso horário do estado do Acre e alguns municípios do Amazonas.

Dilma conquistou a vitória mais apertada da história do Brasil sobre o candidato do PSDB, Aécio Neves. Confirmando as pesquisas, a petista foi reeleita com 52% dos votos válidos, contra 48% do senador mineiro. Em Alagoas, foram 62,12% contra 37,88%, dos votos válidos.

Ao lado dos militantes estava o deputado federal reeleito Paulão, que é o presidente do Partido dos Trabalhadores em Alagoas. Em entrevista à reportagem do CadaMinuto, Paulão comemorou a vitória, apontou erros do partido durante os últimos anos e falou sobre a participação da imprensa no processo eleitoral.

O petista considerou este um processo bastante polarizado, já que o PT governa o país há doze anos, mas analisou de forma positiva a reeleição de Dilma. “Foi um projeto de partido que a população compreendeu, no entanto bastante dividido entre um segmento que não compreende o processo de governar para a maioria e um processo que governava para uma minoria”.

Sobre essa polarização, Paulão afirmou que é necessário compreender a derrota dos adversários, mas também entender o que fez essa a população ‘aparte’ votar no outro candidato. “A gente tem que interpretar esse ruído e a insatisfação das ruas, repensando a forma de governar e os desafios que serão encontrados daqui pra frente”.

Entre esses tópicos, o presidente do PT em Alagoas elencou a necessidade de uma reforma política urgente, revisão da questão fiscal e tributária. “Esse também é um clamor, onde você vê que parte dos prefeitos está insatisfeita e tem razão. Brasil concentra os impostos em São Paulo, só que o Nordeste hoje consome muito mais, então você teria que mudar esse paradigma e dar um equilíbrio regional. Antes do PT de Lula, era um Brasil voltado para o Sul e Sudeste e agora a gente percebe da importância do Nordeste, mas ainda há um nível de estrutura baixo, políticas públicas”.

Durante os últimos anos, o PT perdeu sua força e segundo Paulão um dos erros do partido foi a não priorização da reforma politica. “Esse modelo da relação dos poderes constituídos, justamente a dependência com o Congresso Nacional é um processo muito complicado.  Precisamos fazer reformas importantes para que o Congresso seja mais altivo e que possamos ouvir mais a sociedade. Avalio que o PT em relação ao imposto de renda cometeu erros. O fator previdenciário é uma reclamação que existe e que precisa ser bastante discutida. Discutir projetos em alguns setores que foram prejudicados com o atual mercado internacional. Agora que vencemos, é necessária a capacidade de ter humildade para repensar tudo”, colocou Paulão.

O deputado ainda relembrou a importância do papel da imprensa no processo eleitoral, e criticou a postura da Revista Veja. Para Paulão, é preciso ter coragem de discutir a democratização dos meios de comunicação, que não é uma bandeira apenas do PT. “O que a Veja fez foi factóide. O próprio comportamento da revista foi fascista. Na boa comunicação, você tem que ouvir os dois lados e você ouvir uma pessoa que supostamente disse quando o próprio advogado do doleiro negou. Por isso que o PT, a presidente Dilma teve direito de resposta. É lamentável essa postura. A imprensa é fundamental para a democracia agora ela tem que ter responsabilidade. O que a Veja fez como meio de comunicação extrapolou os limites da democracia, por isso que entendo que discutir a bandeira da democratização dos meios de comunicação é um assunto que temos que aprofundar”.

Para Alagoas, a vitória de Dilma é fator considerado positivo, já que a base de apoio da petista venceu as eleições para governador e senador. “Conseguimos conquistar o governo do Estado, com Renan Filho e o senador Collor foi eleito. Então existe uma sintonia, porque o Brasil, principalmente o Nordeste depende muito da união. Alagoas também. Temos que ter a capacidade de fazer esforços conjugados para trazer mais projetos e recursos. O atual governo perde, em média, R$ 100 milhões porque não aplica o dinheiro. A bancada federal faz um enorme esforço em busca dos recursos, mas não conseguimos caminhar. Renan Filho precisa montar uma equipe efetiva no sentido de trabalhar e ter andamento nas ações. É necessária a entrada de mais projetos para equilibrar o Nordeste diante das outras regiões mas principalmente Alagoas”, finalizou.