Na sessão ordinária desta terça-feira (07), a primeira após o pleito eleitoral, o deputado Judson Cabral (PT) – que não conseguiu a reeleição - utilizou a tribuna para uma despedida emocionada – e antecipada - do parlamento. O petista agradeceu pelos votos recebidos e também parabenizou os colegas eleitos e reeleitos.

“Começo agora a contagem regressiva para o fim do meu mandato e a partir de hoje começo a me despedir... Muitas vezes a gente pensa em uma direção e a população na outra, mas não me sinto derrotado. Deixarei essa Casa de cabeça erguida e não me afastarei das minhas convicções”, afirmou, citando ainda o apóstolo Paulo: “Combati o bom combate e agora pretendo voltar a atuar na minha área, como engenheiro”.

O discurso de Cabral foi aparteado por vários colegas, entre eles João Henrique Caldas (SDD), eleito o deputado federal mais votado de Alagoas. JHC elogiou a atuação do petista, a quem classificou de referência para todos os colegas.

Os deputados Joãozinho Pereira (PSDB), Jota Cavalcante -  que também não conseguiu se reeleger -, Ricardo Nezinho (PMDB), Temóteo Correia, Ronaldo Medeiros e até o silencioso Severino Pessoa também elogiaram Cabral. Pessoa chegou a afirmar que a não reeleição do petista foi a surpresa negativa deste pleito.

Dudu Hollanda, o parlamentar que roubou a cena na tarde desta terça-feira,  também fez questão de prestar sua solidaridade: “Tu vai voar de novo. Você é um dos mais brilhantes parlamentares que eu conheci em toda minha vida. Você é dos deputados mais respeitados da história política de Alagoas”.

Tsunami

Em entrevista à imprensa após a sessão, Cabral disse que Rodrigo Cunha passou como um “tsunami” nas seções eleitorais onde ele (Cabral) tinha votos. O petista avaliou que os eleitores “conscientes” optaram por votar em Rodrigo e creditou o fato um pouco ao que ele classificou de “processo de demonização” pelo qual o Partido dos Trabalhadores passa.

“O perfil do meu eleitorado optou pelo Rodrigo neste momento. Foi o que aconteceu. Exatamente nas urnas da segunda zona, onde está o formador de opinião, as pessoas optaram pela ideia do novo. Espero que o novo cumpra seu papel... Quanto a mim, saio do jeito que entrei: de cabeça erguida e mãos limpas”, frisou.

O parlamentar negou que já tenha sido convidado pelo governador eleito, Renan Filho (PSDB) para assumir algum cargo na esfera do Executivo, mas disse que, se o convite surgir, a proposta será avaliada naturalmente, já que o PT integra a coligação que elegeu Renan Filho.

Perdas e ganhos

Em entrevista ao CadaMinuto antes do início da sessão, o deputado Ronaldo Medeiros (PT) também lamentou a não reeleição de Judson e disse ter certeza de que o colega seria aproveitado na administração de Renan Filho. “Ele merece. O nome dele é um grande cartão de visitas e fala por si só”.

Medeiros avaliou ainda que, mesmo perdendo uma cadeira na ALE – de três para duas - o PT avançou neste pleito com a eleição e Paulão para a Câmara Federal. “Carecíamos de um representante eleito pelo PT, para traduzir para população os recursos que o governo federal envia para o Estado. Antes, quem capitalizava isso eram os deputados federais de outros partidos”.