Um debate de poucas propostas efetivas, de discursos genéricos e ataques diretos e indiretos. Assim transcorreu o “confronto” entre os candidatos, na noite de ontem (12), realizado pela TV Alagoas. Para alguns candidatos de partidos menores e que sequer pontuam nas pesquisas eleitorais, o debate ainda foi o “palco de estreia” de suas candidaturas, na busca por se tornarem conhecidos do eleitor alagoano.

O debate da TV Alagoas teve duração de pouco mais de 1h40 minutos e foi dividido em cinco blocos. Os principais temas abordados – ao longo do programa – foram Educação, Saúde e Segurança Pública. Este último se fez mais presente, porém com poucas propostas efetivas e mais discursos genéricos e críticas ao atual governo de Teotonio Vilela Filho (PSDB).

No primeiro bloco, os candidatos ao governo apresentaram o motivo pelo qual querem comandar os destinos do Estado. Coronel Goulart (PEN) abriu o programa: “aceito o desafio por não concordar com os piores índices que aí estão. Em Alagoas, se tem medo de ir à rua”. Mário Agra (PSOL) destacou que quer inverter a ordem de prioridades do atual governo e disse representar os indignados que não suportam mais a violência.

Renan Filho (PMDB) destacou preocupação com a “crise que Alagoas enfrenta” e – logo de saída – se comprometeu com a montagem de um governo técnico, mesmo sendo uma das candidaturas com mais alianças políticas. “É preciso trazer Alagoas para o século XXI”, salientou o peemedebista.

O candidato comunista Golbery Lessa disse ter um projeto coletivo de um partido de 92 anos de história, que é o PCB, e centrou o discurso na questão agrária, na gestão democrática e na defesa da soberania. O governista tucano Julio Cézar cumpriu a missão de defender o legado de Vilela e ainda montou o palanque para a candidatura do presidenciável e senador Aécio Neves (PSDB) em Alagoas.

Benedito de Lira (PP) falou em querer cuidar das pessoas e desenvolver Educação, Saúde e Segurança. Luciano Balbino (PTN) prometeu focar seu governo na “geração de emprego e combate às drogas”. Por fim, Joathas Albuquerque (PTC) se disse “cansado das mesmices dos políticos alagoanos que só prometem e nada fazem” e por isso resolveu – ele mesmo – se colocar na missão.

Segurança

O debate girou entre alguns eixos, mas o mais debatido foi a segurança pública. Benedito de Lira – em função da logística do debate e das perguntas sorteadas – foi o primeiro explanar sobre a questão. “Alagoas atravessa dificuldades, mas que são de todo o país. Não se pode apenas achar que segurança pública é responsabilidade do Estado. É preciso convocar a reserva técnica da Polícia Militar de Alagoas, combater o crime organizado e o tráfico de drogas e engajar o setor público e o privado no combate a violência”.

Além de Benedito de Lira, os demais candidatos também defenderam concurso público nas áreas de educação e segurança, além da contratação da reserva técnica. Dias antes, em entrevista ao Blog do Vilar Ao Vivo, o governador Vilela salientou que a contratação da reserva é uma “mentira eleitoreira” em função das dificuldades da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF).

Mário Agra também falou de segurança. Defendeu a desmilitarização da Polícia Militar. “Em Alagoas, a situação da violência é impressionante. Há um descaso com a PM. Há excesso de soldados no gabinete militar e falta gente nas ruas. A Polícia está despreparada. É preciso convocar a reserva técnica”.  Coronel Goulart defendeu – em relação ao assunto – um “pacto pela vida do alagoano”. “Se não formos sincero com a população, repetiremos os erros deste governo, que investe mal. São 2.200 homens que vão para a reserva. Aumentar o efetivo apenas não resolve, precisa também investir em inteligência”.

Renan Filho disse que o atual governo “terceirizou” a segurança ao entregar a pasta a pessoas que vieram de fora, repetindo um discurso que já usou em outros momentos. O peemedebista salientou que a responsabilidade de cuidar da segurança é do governador. “Alagoas precisa dar condição à polícia, aumentar o efetivo, investir em inteligência e intensificar a prevenção e repressão”. O candidato do PMDB lembrou que prevenção está associada a políticas de Educação, Saúde e Cultura.

Luciano Balbino também falou sobre segurança e ressaltou a necessidade de combater o trágico de drogas e da geração de emprego como elementos de combate à violência. Os que não falaram sobre segurança foi por não terem oportunidade em função das regras, mas adentraram em outros temas.

Discursos

Joathas Albuquerque – por exemplo – colocou propostas para a Educação. “A escola pública é uma referência. Estes políticos acabaram com a segurança e com a Educação. Vamos implantar bolsa-escola e ensino integral. Administrar a secretaria de Educação com concursados. Vou indicar alguém da pasta, um funcionário para assumir a secretária. É fácil resolver o problema da Educação, mas é preciso interesse e compromisso”.

Júlio Cezar que defendeu as diversas áreas do governo e culpou a administração federal e a bancada por não demonstrarem maior interesse pelas questões de Alagoas, ressaltou a necessidade de uma maior integração entre as esferas governamentais para que Alagoas “siga atraindo indústrias”. Lembrou que há uma crise no setor energético a ser resolvida, mas que só é possível com o apoio do governo federal. Destacou a necessidade de mais investimentos por parte da União e fez críticas indiretas ao trabalho dos senadores e dos parlamentares, que estariam – na visão do tucano – ajudando pouco a Alagoas.

Ao ressaltar questões do Estado, Balbino falou sobre Saúde. “O HGE está estourado. No meu governo vou criar três novos hospitais, investir em postos de saúde nos municípios e apoio a atenção básica. Quero criar um Hospital da Mulher e um hospital pediátrico e assim melhorar a situação da Saúde”. Luciano Balbino garantiu haver recursos para isto, mas que hoje eles são mal geridos, em sua visão.

Golbery Lessa criticou a dependência do estado do setor sucroalcooleiro. Na visão de Lessa, uma relação nociva em função da dependência política e financeira. O candidato comunista falou muito sobre agricultura familiar, fortalecer  este setor que – em sua visão – “anda esquecido”. Salientou que é preciso valorizar a agroindustrialização. O comunista ainda salientou a necessidade de um governo com uma democracia mais direta, defendendo a implementação de conselhos populares.

Ataques

Os ataques também foram vistos no debate. No bloco em que os candidatos escolhiam a quem perguntar, tanto Renan Filho quanto Benedito de Lira tiveram chances de ir para o confronto direto, mas preferiram perguntar a outros candidatos.

Renan Filho partiu para ataques de forma indireta, afirmando que Lira (sem citar o nome do candidato) se apresenta com alternativa, mas era aliado do governo e a cabeça da chapa rival tinha o comanda da Educação (pasta que teve secretario indicado pelo pepista) e da Saúde (o deputado federal Alexandre Toledo (PSB) é candidato a vice na chapa de Lira).

Benedito de Lira ainda foi atacado por coronel Goulart, que cobrou explicação sobre o fato do senador ter três aposentadorias. Lira disse que todas eram dentro da legalidade e que trabalha desde os 10 anos de idade, que ingressou no serviço público por meio de concurso e lembrou seus vários mandatos. Lira ainda foi atacado por Mário Agra. O psolista lembrou da Operação Lava-jato e do caso do doleiro. Benedito de Lira negou qualquer tipo de envolvimento com irregularidades.

O peemedebista Renan Filho também sofreu ataques. Um deles por parte de Mário Agra que questionou os índices de Murici – cidade que foi comandada pelo peemedebista – em função da ausência de geração de emprego e renda. Agra perguntou se ele estaria preparado para governador Alagoas diante do que seria um má gestão em Murici.

O peemedebista disse que saiu do comando da cidade com 83% de aprovação. De acordo com Renan Filho, houve avanços na região e que agora ele se sente preparado para comandar o governo. Outro ataque foi de coronel Goulart ao candidato tucano Julio Cézar. Sem cerimônias, Goulart perguntou se o nome do PSDB seria um laranja.

“Não cabe piada aqui. O debate é sério. Respeito todas as candidaturas e quero que respeitem o meu partido. Estou aqui para defender um projeto do governo, que é o que trouxe o Canal do Sertão e vários avanços. Avançar mais é preciso e em parceria com o governo federal”, rebateu.

Esta foi a tônica do debate que se realizou ontem na TV Alagoas, como citado no início, com poucas propostas efetivas, muitos discursos genéricos e alguns ataques.