Publiquei aqui neste blog – por várias vezes – a dificuldade que o PSDB tem de manter apoios ao redor da candidatura do vereador por Palmeira dos Índios, Julio Cézar (PSDB), ao governo do Estado de Alagoas. O esvaziamento é natural diante da polarização da campanha e da dificuldade de resposta dos tucanos nas pesquisas de intenções de voto.

Julio Cézar é uma candidatura abandonada pelos principais caciques da legenda, dentre eles o prefeito de Maceió, Rui Palmeira (PSDB) – por exemplo – que migrou para a campana do senador Benedito de Lira (PP) desde a desistência do ex-candidato tucano e ex-procurador-geral de Justiça, Eduardo Tavares.

A candidatura tucana também não conta com o apoio do PRB do ex-vereador e candidato a deputado estadual Galba Novaes, que mesmo coligado dos tucanos se aproxima do deputado federal Renan Filho (PMDB) na briga pelo governo do Estado de Alagoas.

Todavia, em meio aos abandonos – numa candidatura quase solitária – o tucano Julio Cézar tem contado com o apoio do governador Teotonio Vilela Filho (PSDB). Será o suficiente? As pesquisas mostram que não. Todavia, o tucano-mor se diz satisfeito com a candidatura de Julio Cézar e que – em sua particular visão – o PSDB “não se apequena no processo e pode até sair fortalecido”.

É difícil entender o que leva Vilela a afirmar isto, mas as declarações foram dadas em recente entrevista a este blogueiro.  (Comento só agora em função dos outros posts mais urgentes que surgiram). De acordo com o chefe do Executivo estadual, “o candidato Julio Cézar é preparado”. “Ele acompanhou o nosso governo desde o primeiro dia. Conhece na palma da mão toda a trajetória, os projetos e estratégias do governo”, salientou.

Vilela confirma ainda a grande tarefa de Julio Cézar no guia eleitoral e na campanha: defender o governo diante dos ataques dos adversários políticos e dos ex-aliados. “Ele está altamente preparado para esta missão. Qual missão? Mostrar que este governo não é a Geni da música. Todos os candidatos para encorpar o seu discurso falam do governo. É compreensível, mas é importante que alguém diga que Alagoas tem um projeto. Dia como ele foi feito e que é o candidato do governo para que este projeto continue”.

“Julio Cézar é o meu candidato e o candidato do PSDB”, afirma Vilela, como se ignorasse a debandada das aves em ninho tucano. O governador sabe da “solidão política” que enfrenta e das dificuldades de emplacar uma candidatura. Ele nega qualquer tipo de acordo com outros candidatos ao governo ou até mesmo com o senador Renan Calheiros (PMDB), como é citado nos bastidores.

Diante da possibilidade da vitória de um outro grupo político,  Vilela diz que o partido terá uma “performance bonita nesta eleição”. E complementa: “a permuta faz parte do poder. É bom. É saudável. Não há problemas com isto. As instituições existem para manter o que foi bom. O medo de quebrar o projeto é ‘desmilinguir’, mas você acha que o futuro governador vai ter coragem de acabar com o portal da transparência? Eu duvido. De mandar dinheiro só para os prefeitos amigos? Eu duvido. Agora, eles (os prefeitos) sabem que podem ser respeitados e que o governo tem esta obrigação. Isto é o que é importante: um legado que se torna uma cultura que aperfeiçoa a democracia e o espírito republicano”

O governador volta a frisar que o “PSDB não se apequena no processo”. “Eu não vejo desta forma como você cita, Lula. Eu vou entregar este governo com o Estado muito melhor do que o que eu recebi. Isto é para nos orgulhar. Como se apequenar? O PSDB está orgulhoso”.

Sobre a escolha política pelo isolamento, o chefe do Executivo também analisa: “politicamente, nós do PSDB escolhemos incialmente o Eduardo Tavares, que infelizmente desistiu da candidatura, mas seria uma candidatura que colocaria Alagoas em outro patamar. Não foi bem compreendida porque não era uma candidatura do grupo, de como as pessoas gostariam que fosse para se manter o mesmo grupo no poder. Isto desagregou a base do governo e surgiram outras candidaturas”, explicita o governador. 

Estou no twitter: @lulavilar