“Nós estamos pedindo para os servidores doarem alimentos para fazer cestas básicas que foram entregues aos aposentados, que estão passando fome, pois há de mais de três não recebem o salário”. Essa foi a situação relatada por uma servidora do município de Atalaia ao denunciar o atraso nos pagamento de salários dos trabalhadores. Na cidade, o impasse entre os servidores e a gestão municipal já resultou na assinatura de Termo de Ajuste Conduta (TAC), no entanto, nada foi resolvido.
A vice-presidente do Sindicato dos Educadores de Atalaia (Seata), Ana Lúcia, conta que os atrasos dos salários desta vez não afetou somente a Educação, mas todos os servidores concursados do município. “O pessoal da saúde mesmo não sabe o que fazer para receber os salários. Na Educação tem gente que não recebeu o mês de julho e já estamos no final de agosto”, afirmou ela.
A professora Núbia Vitor afirma que além da ausência dos salários nas contas, a prefeitura não honrou com os pagamentos do 13ª salários e o terço de férias. “Nós já recorremos a todos os órgãos possíveis, estadual e federal, para conseguir resolver essa situação e até agora não obtemos resposta alguma. Tem servidor público aqui em Atalaia que está passando fome”, enfatizou a professora.
As duas servidoras garantem que os vereadores do município também se calam sobre o assunto. A proposta dos servidores é realizar um protesto, nesta terça-feira (26), na sede da Câmara Municipal para tentar uma postura dos parlamentares.
Assinatura do TAC
As professoras denunciam ainda que o TAC firmado com o Ministério Público Estadual (MPE/AL) não foi cumprido pelo prefeito. O documento foi elaborado em janeiro deste ano, com intenção de propor um fim no impasse, no entanto, essa velha situação chegou ao conhecimento do promotor Sóstenes Araújo Gaia, que convocou o secretário de administração da cidade para um diálogo.
Através da assessoria do MP, o promotor explicou que intermediu a situação, mesmo a falta de pagamento a servidores público não sendo competência da instituição. Gaia fez uma recomendação para que os servidores entrassem com uma ação na Justiça solicitando o bloqueio das contas do município para garantir o pagamento.
Os servidores acataram a sugestão do promotor e pediram o bloqueio das contas. A reportagem do CadaMinuto tentou contato a prefeitura do município, mas não conseguiu.

