Visualizar o posicionamento das estrelas, do Sol, da Lua, dos planetas e de outros objetos astronômicos como se estivesse imerso no espaço. Isso é possível dentro dos planetários, tecnologia que tem caído na graça de professores e pesquisadores de astronomia e ciências afins. Professores dos níveis fundamental, médio e superior vão se reunir em Arapiraca (AL), entre os dias 25 e 28 de agosto, para conhecer as inovações dos planetários digitais e aprender como englobá-las às rotinas das escolas e comunidades. “Arapiraca tem sido pioneira nesse segmento, pessoas de diferentes setores da educação, oriundas de diversos estados brasileiros estarão presentes”, afirma André Parreira, organizador do curso e diretor da Hiperlab, fornecedora dos planetários Digitarium no Brasil.
“Temos noção da importância da promoção desse curso para a região. Nossa expectativa é de que o evento seja uma sementinha na disseminação do conhecimento da astronomia”, ressalta Janice Gomes Cavalcante, diretora do Planetário Municipal de Arapiraca. Ela estima que desde sua inauguração, em outubro de 2012, 30 mil pessoas passaram por lá. “Fazemos questão de convidar profissionais de outras cidades para conhecer as instalações e propomos sempre parcerias. Afinal, para multiplicar o conhecimento, é preciso dividi-lo”, pondera. A diretora ainda garante que, pouco a pouco, Arapiraca quer ampliar a estrutura.
Carolina Moreira, astrônoma no Museu Ciência e Vida, no Rio de Janeiro, trabalha com planetários fixos e infláveis há três anos e, em julho, começou a utilizar o modelo digital. “Junto a outras ações de melhoria implantadas no museu, foi adquirido um novo aparelho”, relata. Ela diz estar empolgada para o curso. “Nunca participei de algo do tipo, mas estou com a expectativa de adquirir domínio e poder bolar sessões diferentes das convencionais”, planeja a astrônoma.
O número de inscritos no curso já está em torno de 50 pessoas que, segundo André, irão ampliar o conhecimento nessa área, e sairão de lá com muito mais opções de uso dos planetários. As motivações para a participação também são variadas. “Tenho interesse em adquirir um planetário digital para substituir o inflável com o qual já trabalho há dois anos”, conta o professor Guilherme Frederico Marranghello, coordenador do Projeto Astronomia para Todos em Bagé (RS). Ele acrescenta que os planetários têm vantagens sobre quaisquer outras formas de se observar os astros. “Tanto o que ocorre ao longo de uma noite inteira, quanto o que acontece em poucos minutos, pode ser acompanhado pelos planetários de maneira incomparável”, garante.
Já Rosane Alexandrino, professora do ensino fundamental em uma escola municipal em Cabo Santo Agostinho (PE), trabalha com planetários digitais e tem a intenção de aprender a manuseá-los ainda melhor para passar seus conhecimentos aos colegas. “São oito planetários aqui, os estudantes gostam bastante, mas ainda ficamos muito restritos a trabalhos ligados às disciplinas de ciências e geografia. Durante o curso, espero assimilar maneiras de usá-los interdisciplinarmente com os professores de matemática e português, por exemplo”, explica.
O CURSO
As aulas serão ministradas pelo renomado astrofísico espanhol, Raul Morales, membro da equipe internacional de desenvolvimento do software de simulação astronômica Nightshade, utilizado nos planetários modelo Digitarium. Ele abordará temas que vão desde a utilização básica do equipamento até à produção de aulas totalmente customizadas, que podem ser aplicadas a turmas dos ensinos Fundamental e Médio. As aulas serão integralmente realizadas no interior do Planetário Municipal de Arapiraca, primeira cidade do nordeste a utilizar, em sua Rede Pública de Educação, esse tipo de tecnologia. “Após o curso, os professores estarão aptos a proporcionar aos alunos todo tipo de experiência no interior do Planetário”, conta o diretor da Hiperlab, André Parreira.