O presidente do PPS, deputado federal Roberto Freire, disse neste sábado (16) que a candidatura de Marina Silva à Presidência "fustiga muito mais" as chances de Aécio Neves (PSDB) do que se a disputa fosse com Eduardo Campos. Ele ressaltou, porém, que Campos ainda poderia ampliar as intenções de voto após o início da propaganda eleitoral.

O PSB já havia informado que deve anunciar oficialmente na quarta-feira (20) quem vai concorrer à Presidência pelo partido no lugar de Campos. O nome de Marina é dado como certo por integrantes da legenda.

Freire falou sobre a disputa eleitoral após visitar a família de Campos no Recife. Segundo ele, a candidatura de Marina aumenta as possibilidades de segundo turno, mas deixa Aécio Neves mais "preocupado".

"Eu diria a você, e afirmo, Aécio vê com bons olhos a candidatura de Marina porque é a garantia de segundo turno. Claro que [Aécio] fica preocupado porque, neste momento, é uma candidata que o fustiga muito mais do que Eduardo estava nessa oportunidade", disse.

 
O presidente do PPS, partido que integra a coligação do PSB, destacou que há um "consenso" sobre a candidatura de Marina e que a vice deve ser mesmo do PSB.

"Tudo indica que, há um consenso, de que deve ser Marina aquela que vai substituir Eduardo. [...] Acho que PSB vai reinvidicar a vice e acredito que será consolidado."

Freire destacou que conversas têm sido feitas desde a morte de Eduardo Campos e que pesquisas iniciais indicam que a candidatura de Marina é "muito forte".

"A comoção nacional já seria fator para mudar o cenário. A candidatura de Marina, como algumas pesquisas feitas por telefone em algumas cidades indicam, é muito forte. Se isso vai continuar, ninguém hoje pode prever. Marina já entra na campanha com nível de conhecimento maior e recall de intenção de voto expressiva. Essa é a mudança para quem acha que estava tudo consolidado, seja Dilma e Aécio", concluiu o deputado.

Freire negou que tenha interesse de ser ele mesmo o candidato a vice na chapa - o nome dele chegou a ser citado como uma das possibilidades.

O presidente do PPS destacou que alguns integrantes da coligação querem antecipar a reunião, marcada para o dia 20, que vai oficializar o nome de Marina e evitou comentar o nome de um vice para a chapa.

"Não vou dizer porque amanhã vai dizer PPS está exigindo que seja essa ou aquela."

Segundo o deputado, Marina está "consciente" de que terá que ser, a partir de agora, a "protagonista" da coligação.

"Marina está consciente que se ela, como coadjuvante, poderia ter posições divergentes porque quem fazia política era Eduardo, agora ela vai fazer a política. [...] Ela agora é protagista, terá que fazer o que Eduardo fazia."

O parlamentar citou ainda que foi "por água abaixo" a tentativa do PT de barrar a candidatura de Marina ao, segundo ele, atuar pela aprovação de projeto que prejudicava novos partidos. O deputado fez referência a proposta que restringe o acesso de sigla recém-criada a recursos do fundo partidário e ao tempo de propaganda eleitoral na televisão. Freire citou "abuso e arbitrariedade" de Lula e Dilma.

"A fatalidade fez com que tudo isso fosse por água abaixo. Marina será candidata", concluiu.

Visitas à família
O candidato ao governo de Pernambuco pelo PTB,  Armando Monteiro Neto, disse neste sábado após visitar a família de Eduardo Campos que a viúva, Renata, está "serena". "Vim prestar minha solidariedade especialmente à Renata que sempre foi fundamental na família de Eduardo. Está serena. Consolando os filhos e acolhendo os amigos."

Monteiro Neto, que disputa com Paulo Câmara, candidato apoiado por Campos, evitou fazer comentários sobre a disputa eleitoral. "A campanha está suspensa e é hora de fazermos as homenagens. Depois, vamos retomar o processo porque a vida segue e a política também ."