Em maio de 2013 o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) divulgou uma pesquisa com dados sobre a abstenção dos eleitores e os prejuízos que a ação causa aos cofres públicos. De acordo com os números publicados, na última campanha da eleição presidencial, em 2010, foram gastos 196 milhões a mais do que o necessário em função da ausência de quem deixou de votar. 80 milhões no primeiro turno e 106 no segundo.

Neste cálculo não foram computados os votos brancos e nulos porque o foco da análise são as pessoas que não compareceram às urnas nos dias de votação. À época, um balanço parcial revelava que aproximadamente 142 milhões de cidadãos estariam aptos a  participarem das eleições de outubro deste ano.

Em 2011, segundo informações do TSE, Alagoas tinha 2'035 milhões de eleitores cadastrados. Desses, 50 mil haviam justificado a impossibilidade de participação no último processo, mas 20 mil deles estavam com pendências a serem resolvidas pelo não-comparecimento em períodos obrigatórios. Para incentivar a participação dos eleitores no pleito deste ano, o TSE vem desenvolvendo campanhas institucionais de conscientização da população sobre a relevância do voto. A hashtag “#vempraurna” e o slogan “seu voto vale o Brasil inteiro” convocam os brasileiros a participarem das eleições gerais de 2014, consideradas pela propaganda do órgão como “a celebração da democracia”. O presidente do TSE, ministro Marco Aurélio, declara que a sociedade costuma se sentir vítima dos maus políticos, mas que é, na realidade, autora, pois decide quem vence as eleições. “É preferível pecar por ato comissivo a pecar por ato omissivo”, afirma Marco Aurélio quando o assunto é abstenção nas urnas.

Geração descrente      

O estudante Hotton Machado tirou o documento eleitoral somente aos 18 anos, apesar da idade mínima para obter o documento ter sido dois anos antes e explica seus motivos de forma pragmática: “Houve a junção entre falta de interesse e de consciência cível. Com o tempo, passei a observar a política de uma forma diferente, procurar entender e ler um pouco mais. É essencial qualquer cidadão parar e pesquisar sobre os candidatos, analisar pontos de vistas e tirar conclusões sensatas”. Hotton amadureceu e se atentou, mas a repulsa jovem tem tido uma fundamentação bem específica, com base em acontecimentos recentes. “Todas as distorções da política brasileira apareceram de maneira muito forte nas manifestações de junho do ano passado”, diz o professor de Ciência Política da USP José Álvaro Moisés. Segundo ele, a falta de confiança dos jovens nas instituições políticas existentes no Brasil é uma das explicações de por que adolescentes que se engajaram em protestos hoje preferem não participar do processo eleitoral.

Em entrevista ao Cada Minuto Press, Niara Aureliano, membro da Liga Jovem do PSTU disse que “o partido participa das eleições para denunciar as falcatruas e corrupção do sistema político em que vivemos e para apresentar o nosso programa para a juventude, classe trabalhadora,  mulheres, negros e negras e LGBTTs. Não acreditamos que as mudanças aconteçam nas urnas e isso está mais que provado com a experiência que tivemos com PT e PSDB, além das alianças que fazem esses partidos. As eleições são um jogo de cartas marcadas em que ganham os que mais investem, com apoio político e financeiro, ou seja, trata-se de uma democracia dos ricos. Acreditamos que as mudanças vem das ruas, com muita luta, greve, manifestações e organização política. É assim que queremos construir uma Alagoas e um Brasil para os trabalhadores”.

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