O PSB vai elaborar uma carta interna com os compromissos eleitorais do partido para ser assinada por Marina Silva antes que a ex-senadora seja nomeada candidata à Presidência da República, na quarta-feira (20).

O presidente nacional da legenda, Roberto Amaral, nomeou uma comissão para produzir o texto, que conta com a deputada federal Luiza Erundina (SP) e a senadora Lídice da Mata (BA).

Segundo pessebistas, o documento trará "as expectativas do partido nesse novo momento eleitoral".

Marina Silva anuncia sua filiação partidária no PSB e fecha acordo politico com o então governador de Pernambuco, Eduardo Campos, para a corrida presidencial de 2014

A carta deve ficar pronta até terça-feira (19) e será submetida à direção nacional do PSB antes de ser enviada a Marina.

"Vamos elaborar uma carta para retomar os compromissos originais e, quem sabe, incluir novas ideias", disse Luiza Erundina à Folha.

Questionada sobre quais ideias seriam essas, a deputada disse que ainda não tem detalhes sobre o conteúdo do texto.

Segundo Erundina, a primeira reunião da comissão deve acontecer somente domingo (17), em Recife, após o enterro do presidenciável Eduardo Campos, que morreu na quarta-feira (13) em um acidente de avião em Santos (SP).

Erundina e diversas lideranças do PSB viajam à capital de Pernambuco para as cerimônias fúnebres e também para as tratativas que decidirão o futuro da chapa. Além da carta de compromisso, o PSB precisa definir um nome para a vaga de vice de Marina Silva. O deputado Beto Albuquerque (RS) é o mais cotado para o cargo.

CANDIDATA

O PSB superou as divergências internas e selou acordo para lançar Marina Silva à Presidência da República no lugar de Eduardo Campos. Ela concordou com a inversão da chapa e deverá ser anunciada oficialmente na próxima quarta. O novo presidente da sigla, Roberto Amaral, prometeu a Marina que ela não precisará permanecer no partido caso seja eleita.

O PSB agora discutirá a indicação do novo vice na chapa presidencial. O deputado gaúcho Beto Albuquerque, hoje candidato ao Senado, é o mais cotado para a vaga.

Candidata à reeleição, a presidente Dilma Rousseff (PT) decretou luto oficial de três dias e afirmou que o acidente "tirou a vida de um jovem político promissor". Também presidenciável, Aécio Neves (PSDB) disse ter perdido um amigo.

Marina declarou que guardará dele a imagem de "alegria" e "sonhos". Campos morreu num 13 de agosto, mesmo dia da morte do avô, o também ex-governador Miguel Arraes (1916-2005). Campos deixa mulher, Renata Campos, e cinco filhos, o mais novo nascido em janeiro. "Não estava no script", disse Renata.