Uma equipe de investigadores holandeses examinou nesta segunda-feira (21) os corpos de vítimas do voo MH17, da Malaysia Airlines, a bordo de um trem em Torez, perto do local da tragédia, no leste da Ucrânia, uma zona controlada pelos separatistas pró-russos, observou uma jornalista da agência de notícias France Presse.
Os investigadores, acompanhados por representantes da Organização para a Segurança e a Cooperação na Europa (OSCE), e com o rosto coberto com máscaras, abriram cinco vagões que acreditava-se que eram frigoríficos, mas que aparentemente não eram, já que deles exalava um forte odor de corpos em decomposição. Em seu interior, era possível ver sacos mortuários pretos.
"O armazenamento dos corpos é de boa qualidade", declarou, no entanto, o especialista médico legal holandês Peter Van Vilet, responsável pela missão, cercado por 50 homens armados diante da estação.
O chefe da equipe forense holandesa informou que o trem deve deixar Torez ainda nesta segunda-feira. "O trem vai sair. Não sabemos a hora e o destino. Temos uma promessa: hoje, partirá", disse Vilet a repórteres na estação ferroviária. "Só quero que o trem vá a uma cidade onde possamos realizar nosso trabalho. E isso é do interesse de todos, especialmente das famílias das vítimas."
O primeiro-ministro holandês, Mark Rutte, declarou que o objetivo de seu país é levar os corpos ao território ucraniano controlado por Kiev, preferencialmente à grande cidade vizinha de Kharkiv.
"Os separatistas disseram que os observadores internacionais devem estar presentes quando o trem sair. Os especialistas holandeses são observadores internacionais, podem desempenhar esse papel", acrescentou Rutte.
O primeiro-ministro ucraniano, Arseni Yatseniuk, declarou nesta segunda-feira que a Holanda deverá coordenar a investigação internacional sobre a queda do avião malaio e que Kiev está disposto a enviar os corpos a Amsterdã para serem submetidos a uma necropsia.
"Encontramos 272 corpos, 251 deles já estão em um trem frigorífico. (...) Estamos dispostos a enviar todos os corpos a Amsterdã" para que sejam submetidos a uma necropsia e a todas as análises independentes necessárias, acrescentou Yatseniuk em uma coletiva de imprensa. Das 298 vítimas do acidente aéreo, 193 eram holandesas.
O avião da Malaysia Airlines caiu na quinta-feira (17), intensificando a crise entre Ucrânia, separatistas pró-Rússia e a própria Rússia. Os países ocidentais criticaram as restrições impostas pelos rebeldes no local da queda da aeronave, e pediram à Rússia para colocar pressão sobre eles para permitir mais acesso aos especialistas que vão investigar a causa do acidente.









