O corregedor regional eleitoral substituto, Alberto Jorge Correia, pediu a colaboração dos candidatos ao governo de Alagoas por eleições limpas "em todos os sentidos" e para tentar diminuir o número de litígios durante o pleito. O encontro entre o magistrado e candidatos e seus representantes aconteceu na tarde desta quinta-feira (17), no prédio do Tribunal de Justiça (TJ/AL).

No início do encontro, o corregedor demonstrou preocupação com o que poderia ser uma nova modalidade de compra de votos no Estado, feito por intermédio de lideranças encarregadas de corromper os eleitores. "Entre as especulações que chegam a nós está o valor de cem reais por voto, mas ainda não há denúncias formais”, explicou.

Ele também chamou a atenção para o papel determinante que a internet deverá ter no pleito deste ano. “As mídias sociais serão responsáveis por algo novo nessas eleições. Vamos ter que encontrar maneiras de reprimir os abusos”, frisou, apelando para que os candidatos se engajem em uma campanha limpa - sem agressões gratuitas - e também no sentido literal da palavra: “A sujeira deixada pelas propagandas de alguns candidatos nas cidades é um péssimo exemplo”.

 

O magistrado classificou a reunião de hoje como um “convite ao bom-senso” e frisou que a Justiça deverá agir com rigor em relação a impugnações sem sustentação legal e denúncias sem fundamento. “Uma vez iniciado o processo de impugnação, cabe ao Poder Judiciário decidir se foi ou não litigância de má-fé. O eleitor pode ser informado, mas as agressões gratuitas serão castigadas, esse comportamento não será tolerado”, afirmou, em resposta as perguntas feitas pelo candidato Elias Barros acerca das ações de impugnação e do que pode ser dito no guia eleitoral.

Vídeos

Quando o candidato Mário Agra (PSOL) discorreu sobre a necessidade de redobrar a vigilância, principalmente depois da divulgação de que Alagoas terá uma das campanhas mais caras do País, o corregedor eleitoral destacou a importância do eleitor nessa fiscalização.

“Hoje os vídeos gravados em pequenas câmeras, ou até no celular têm servido muito a justiça eleitoral, que pode detectar de forma clara casos de corrupção. E não cabe alegação de privacidade, porque o interesse público se sobressai. Essas gravações, feitas em locais públicos, servem como prova robusta e podem levar à cassação de uma candidatura”, salientou Alberto Jorge.

O magistrado também aproveitou o encontro para cobrar dos candidatos propostas concretas, principalmente em relação à segurança pública, cujos resultados, segundo ele, não foram sequer razoáveis nos últimos anos.

Punições brandas e frouxas

Alberto Jorge também falou sobre a conjuntura política nacional e afirmou que um dos maiores problemas do Brasil é a impunidade, principalmente dos imunizados “oficialmente” – caso dos políticos detentores de foro privilegiado – e dos imunizados extraoficialmente, como os ricos e poderosos.

“Se houvesse punição séria as coisas poderiam até não se resolver, mas iam melhorar. As punições são brandas e frouxas no País e, ainda assim, difíceis de serem aplicadas”, apontou.

Outro ponto criticado pelo magistrado foi o fato de o Parlamento brasileiro ter transferido suas responsabilidades na decisão de temas polêmicos para o Supremo Tribunal Federal (STF): “Não vejo isso com bons olhos. É uma transferência de responsabilidade indevida. A governança é dos políticos, essa é a regra da democracia”.

Participaram do encontro o juiz federal e desembargador eleitoral André Carvalho, os candidatos Golbery Lessa (PCB), Mário Agra (PSOL), Joathas Albuquerque (PTC), Luciano Balbino (PTN) e Coronel Goulart (PEN) e representantes dos candidatos Renan Filho (PSDB), Benedito de Lira (PP), Eduardo Tavares (PSDB) e Jeferson Piones (PRTB).