O governador de Alagoas, Teotonio Vilela Filho (PSDB), demonstra disposição – ainda que tardia – para entrar na campanha do candidato tucano ao governo do Estado de Alagoas, Eduardo Tavares.
Há bônus e ônus. Estar com a máquina nas mãos sempre ajuda em um processo eleitoral. Eis o bônus. De ônus, Eduardo Tavares tem que lidar com o fato de ser o candidato de situação de um governo que tem altos índices de rejeição, como mostram recentes pesquisas.
Além disto, recai sobre a imagem de Vilela os indicadores da Saúde, Educação e Segurança Pública. Pontos a serem explorados pelos adversários políticos para atingir a campanha tucana. Porém, Vilela deve se empenhar como cabo eleitoral de Tavares. É o que dá para sentir em suas recentes declarações.
Por meio das redes sociais, o governador comparou os processos eleitorais de 2006 e 2010, quando foi eleito e reeleito, com o atual (2014), já que – assim como ele na época – Eduardo Tavares não se encontra bem posicionado nas pesquisas, aparecendo em terceiro colocado e distante dos ponteiros: o senador Benedito de Lira (PP) e o deputado federal Renan Filho (PMDB).
“Em julho de 2006, eu aparecia nas pesquisas para o governo de Alagoas com 8% das intenções de voto. João Lyra (PSD), meu adversário, tinha 55%”, ressalta. Vilela também lembrou que Lyra – no período – tinha o apoio de 90 prefeitos e 26 deputados estaduais. E arrematou: “ganhei no primeiro turno”.
O governador também fala de 2010: “estava em 3º lugar nas pesquisas e enfrentava as principais lideranças políticas do Estado. Fui reeleito. Em julho deste ano, estou absolutamente confiante de que os alagoanos, também nesta eleição, vão escolher o melhor candidato: Eduardo Tavares”.
O que Vilela esquece é de analisar as diferenças destas eleições. Ao disputar o governo pela primeira vez, Vilela não era um nome novo na política partidária e em pleitos. Era conhecido como senador e expressão nacional do PSDB. Tinha força política, apoio do senador Renan Calheiros (PMDB) e da máquina do Estado. Era o candidato da situação. Defendia – na época (2006) – o governo do atual rival, Ronaldo Lessa (PDT).
Em 2010, outra circunstância: a aposta no discurso maniqueísta para enfrentar Ronaldo Lessa (PDT) e o senador Fernando Collor (PTB). Foi uma eleição dura, apesar da máquina tucana. Vilela chegou ao segundo turno em um enfrentamento com Lessa que foi acirrado. Ao fim do processo eleitoral, o tucano teve 52% dos votos válidos. Ronaldo Lessa ficou com aproximadamente 47%.
De 2006 para 2010, Vilela sentiu o peso do desgaste de setores do governo. Este pode ter sido um dos fatores que resultou em eleições tão diferentes. Agora, os desafios são outros, apesar da confiança de Vilela. O candidato também é outro. Com algumas características – inclusive – que o marketing tucano tenta trabalhar, como a própria biografia de Tavares.
A comparação de Vilela é superficial. Obviamente, o governador leva em consideração apenas os pontos que o agrada. Faz parte do jogo.
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