Esta é a segunda vez que o ex-prefeito de Arapiraca, Luciano Barbosa (PMDB), ocupa as páginas vermelhas. Agora, na condição de pré-candidato a vice-governador na chapa encabeçada pelo deputado federal Renan Filho (PMDB).
O CadaMinuto Press ouviu todos os pré-candidatos ao governo do Estado de Alagoas, em suas edições. Conforme forem fechado as chapas, o objetivo é ouvir também todos os indicados a vice. O primeiro é Luciano Barbosa.
O peemedebista evita o discurso de que foi indicado devido a experiência administrativa. De acordo com ele, o deputado federal Renan Filho já possui esta caraterística e que deve surpreender. Barbosa ressalta que assume um papel de colaborador dentro da frente.
Ao falar do papel do vice diz que este tem que ser discreto e se colocar a serviço do governador. Veja o que pensa Luciano Barbosa já após a indicação da frente para compor a majoritária.
Sua indicação para ser vice do deputado federal e pré-candidato ao governo do Estado de Alagoas, Renan Filho (PMDB), vem sendo cogitada há algumas semanas. O que sacramentou a decisão por seu nome?
A indicação foi fruto de todo um trabalho em busca de consensos, algo que tem caracterizado a construção da frente de oposição. Agimos assim para indicar as candidaturas de senador e de governador. Uma frente ampla como essa possui bons nomes em todos os partidos, todos com legitimidade para compor a chapa majoritária na condição de vice-governador.
É natural, portanto, que se esgote a discussão interna sem imposição, buscando o perfil mais adequado para o momento político. Nesse processo, a capacidade de articulação do coordenador Ronaldo Lessa (PDT) e o sentimento de unidade dos partidos foram de fundamental importância. Entendo, porém, que dentro dessa perspectiva, ser um político com fortes bases no interior e que pudesse colaborar administrativamente pode ter ajudado na escolha.
Seu nome sempre foi citado pela experiência que traria à composição com o deputado federal Renan Filho. O senhor acha que sua posição aumenta a participação com conselhos e orientações ao pré-candidato Renan Filho?
Não acho que esteja na chapa pela minha experiência administrativa. Renan Filho tem experiência suficiente para governar o Estado de Alagoas. A minha experiência pode até servir ao futuro governo, mas não é por esse motivo que estou na chapa majoritária. É preciso deixar claro que experiência o Renan Filho tem. Foi prefeito por dois mandatos e é um deputado federal atuante, com passagem por comissões importantes na Câmara dos Deputados, onde exerceu seu papel com muita competência.
O fato de ser jovem não quer dizer q não tenha experiência. Isso é preconceito contra a juventude. Ser jovem não é defeito. Se olharmos para o quadro da política nacional vamos ver que muitos jovens estão assumindo postos de comando com muita dignidade. Honrando sua geração. Minha experiência como ex-prefeito por dois mandatos da cidade de Arapiraca e minha passagem pelo Ministério da Integração Nacional podem ajudar no governo como um todo, mas não serei exceção.
Com certeza, se a frente for vitoriosa, o futuro governo estará repleto de pessoas honradas e experientes que darão o melhor de si para fazer o que o nosso estado precisa. Portanto, em caso de vitória, serei mais um colaborador a somar esforços em torno de um governo sério e competente, sob a direção do futuro governador Renan Filho.
Sua entrada na chapa majoritária tinha como maior trunfo o eleitorado do 2º maior colégio do estado – Arapiraca – e região. O nome de Rogério Teófilo deve ser confirmado como vice na chapa do PSDB, considera que isto atrapalha os planos eleitorais do PMDB para a região?
Não. Acho que cada partido e cada coligação tem q buscar seus melhores quadros para uma disputa eleitoral. Cabe a cada um fazer uma avaliação do momento político e se posicionar. O importante é que possamos ter uma disputa que valorize o debate político e aponte soluções exequíveis para os problemas do estado de Alagoas. A população vai julgar.
Pela forma como a frente de oposição tem se conduzido - internamente buscando a unidade e externamente construindo um programa de governo com a participação popular -, não tenho dúvidas que vamos estar em sintonia com as aspirações do povo alagoano e, assim, de Arapiraca também.
O senhor vem trabalhando sua candidatura a deputado federal há cerca de dois anos. Seu espólio eleitoral deve ser disputado por candidatos de todas os grupos políticos, como o senhor atuará em relação aos apoios/compromissos que já colecionava? Assumirá estas negociações ou estão todos os compromissos liberados?
Estão todos liberados. Eu não tenho votos. Eu tenho só o meu voto. Não sou dono do voto de ninguém. Essa prática carrego comigo da minha formação política, do tempo da luta pela redemocratização do país. Lutei muito pelas liberdades democráticas, seria um contrassenso tentar conduzir o voto de alguém como se fosse dono. É lógico que se alguém me perguntar eu direi a minha opinião. Mas será sempre uma opinião, respeitando o livre arbítrio daqueles que me consideraram como capaz de representá-los na Câmara Federal.
Caso eleito, que tipo de vice pretende ser? Há acordo com o PMDB para assegurar-lhe participação direta na gestão/pastas?
Em caso de vitória da frente, serei mais um colaborador do governo a serviço de Alagoas e sob as ordens do governador do Estado. Um vice tem q ser discreto e se colocar sempre à disposição do governador. É assim que eu acho que tem que ser o comportamento de quem pensa no conjunto, sem vaidade e tendo a humildade de participar sem precisar aparecer.
Veja o exemplo da mais tradicional democracia do mundo, os Estados Unidos, lá o vice tem um comportamento exemplar, não pode ser elemento destoante do todo, tem q ter a capacidade de entender o seu papel. Nós sempre seremos julgados pelo conjunto da obra, então não adianta se precipitar.
A estrutura de poder executivo que nós temos só funciona com um chefe de Governo, no caso de Alagoas, o governador. E ele terá a sensibilidade para atribuir as missões que cada um deve cumprir. A parte que me couber farei com esmero e determinação, usando a experiência que os anos de vida pública me conferiram.
Nos bastidores políticos sempre se comentou a lealdade do senhor ao presidente do Senado Renan Calheiros (PMDB), pai do pré-candidato Renan Filho, seu nome reforça o posicionamento ativo do senador na campanha e na gestão, diante de uma eventual vitória?
O senador Renan Calheiros é, indiscutivelmente, a maior liderança política do estado de Alagoas. E, claro, joga um papel importante na política alagoana. Tem, até por dever de ofício, o direito de exercer sua liderança num ano de eleição. Isso é legítimo. No entanto, em momento algum forçou a condução do processo em minha direção para a escolha do vice-governador da frente.
Quem conhece o Senador Renan sabe q sua liderança é exercida através da paciência para ouvir todos e argumentar com clareza as suas convicções. A minha indicação foi fruto de uma discussão democrática dentro de uma frente partidária que tem como seu bem mais precioso a unidade política. Ao ex-governador Ronaldo Lessa coube a tarefa de conduzir o processo que culminou com a minha indicação. O senador Renan cumprirá um papel ativo na campanha e no futuro governo pela importância q ele tem.
A atuação do senador Renan em Brasília é de fundamental importância para trazer os recursos necessários para enfrentarmos a tarefa de melhorar os indicadores sociais e promover o desenvolvimento de nosso estado. Aliás, ele já tem ajudado muito, tem feito isso com muito zelo durante esses anos todos. A diferença é que teremos um governo de uma frente onde o senador Renan Calheiros é parte integrante.
Arapiraca se desenvolveu muito com a agricultura segmentada na região, fugindo da tradicional monocultura da cana. Como o senhor avalia o setor sucroalcooleiro para a economia alagoana?
Não tenho dúvidas sobre a importância do setor sucroacooleiro, como também não tenho dúvidas da situação difícil que passa o setor. Acho quem nome do dinamismo econômico de nosso estado, devemos promover a diversidade da economia e resolver as crises setoriais q se apresentem com a força política que nós temos. E temos muita força política.
Alagoas é um estado pequeno que tem a presidência do Congresso Nacional, isso vale muito como ativo político para o nosso desenvolvimento. A exemplo do que ocorre em Arapiraca, queremos que o Estado de Alagoas tenha como motor do seu desenvolvimento uma economia diversificada e distributiva.
Não existe desenvolvimento consistente se não houver distribuição de renda. A circulação de mercadoria é a alma do capitalismo, e só existe circulação de mercadoria onde há distribuição de renda. Esse é o segredo do sucesso de Arapiraca.
Caso eleito, considerando sua formação em engenharia civil, quais obras estruturantes o senhor vislumbra para Alagoas? E tentará implantá-las durante uma eventual gestão Renan Filho?
A maior obra estruturante para o estado de Alagoas é a educação. Se não cuidarmos da educação tudo o mais será em vão. No que diz respeito ao que tradicionalmente chamamos de infraestrutura, penso que Alagoas precisa completar sua malha rodoviária para escoamento da produção, do fluxo do comércio e do turismo - como é o caso da AL101 Norte, só pra citar um exemplo.
Precisamos ter uma oferta de energia elétrica abundante em regiões estratégicas do Estado (é uma vergonha q tenhamos hidrelétrica e não tenhamos linhas de transmissão com carga suficiente para o nosso desenvolvimento); precisamos levar gás canalizado para localidades q permitam a atração de investimentos privados no interior do estado; e precisamos aumentar a cobertura de saneamento básico em todas as cidades.
Isso só pra citar alguns exemplos de políticas públicas de longo prazo para o desenvolvimento econômico com transformação social.
