Das 14 obras de mobilidade urbana previstas para a Copa em Porto Alegre, apenas duas devem ser finalizadas antes da competição, segundo promete a prefeitura, justificando que 99% do trabalho está concluído. Entretanto, não existe data certa para a entrega. Junto a isso, o governo do Rio Grande do Sul e o Internacional ainda precisam captar mais R$ 7 milhões para arcar com os custos das estruturas temporárias, mas o Estado, parceiro do clube na ação, nega que isso possa atrapalhar a conclusão.
Segundo a prefeitura, as principais causas dos atrasos e da retirada de 13 obras da matriz da Copa foram problemas com a liberação de recursos do governo federal, desapropriações, impedimentos impostos pela Aeronáutica por conta da proximidade com o aeroporto, uma pedra inesperada encontrada no subsolo, uma operação da Polícia Federal contra extração ilegal de areia que interrompeu o fornecimento e mudanças nos projetos.
Atualmente o cronograma está sendo refeito, por isso não existe data prevista, mas o executivo municipal garante que as duas obras prometidas para o entorno do Beira-Rio serão entregues antes da competição, em 12 de junho. As demais obras retiradas da matriz de responsabilidade continuam em andamento, mas devem ser finalizadas até 2016.
No final do ano passado, a prefeitura retirou 13 obras da matriz da Copa. Apenas as vias de acesso ao Beira-Rio foram mantidas. Foi incluída ainda a pavimentação do entorno do estádio, totalizando as duas intervenções prometidas.
Mas os problemas não param por aí. Depois da quase conclusão da reforma do Beira-Rio, entraram em discussão as estruturas temporárias (instalações para operação de segurança e imprensa nos arredores do estádio), ao custo de R$ 25 milhões, que se tornaram o pepino da Copa.
O Internacional alegou não ter condições financeiras para tal, e a ameaça da não realização do evento em Porto Alegre provocou uma corrida das autoridades em busca de uma solução, que veio por meio de isenções fiscais para os financiadores da obra. Entretanto, o Ministério Público quer saber de onde o governo vai tirar o dinheiro da renúncia fiscal.
Dos R$ 25 milhões necessários para a instalação das estruturas, R$ 18 milhões (72%) foram captados, mas o Comitê Gestor da Copa 2014, vinculado ao governo do Estado, garante que isso não atrapalhará a entrega prevista para o dia 1º de junho.
Em Porto Alegre, até o entulho gerado pela reforma do Beira-Rio foi alvo de um impasse, porque impedia a construção de 1,4 mil vagas de estacionamento destinadas para a Fifa. A solução encontrada foi compactar o material, para então, construir o estacionamento.
Em sua última passagem pelo Rio Grande do Sul, o secretário-geral da Fifa, Jérôme Valcke, disse em postagem no Twitter que apesar do trabalho que vem sendo realizado para entrega das estruturas temporárias, “há muito a ser feito em Porto Alegre. Não podemos perder um minuto”. Quem passa pelos arredores do estádio entende do que ele falava.