Após a polêmica sessão extraordinária ocorrida pela manhã na Câmara Municipal de Maceió (CMM), os vereadores oposicionistas integrantes do “grupo dos 11” concederam uma entrevista coletiva à imprensa na tarde desta sexta-feira (23), para prestar solidariedade ao vereador Antônio Holanda (PMDB), agredido em plenário pelo irmão, o ex-vereador Francicso Holanda (que é pai do presidente do Parlamento Mirim, Chico Filho (PP).
Os vereadores também apelaram para que o Tribunal de Justiça de Alagoas (TJ/AL) resolva o imbróglio envolvendo as eleições para a Mesa Diretora da Casa, suspensa após uma “guerra de liminares”, quando restavam apenas os cargos de primeiro e segundo suplentes – Maria Aparecida e Wilson Júnior - para serem escolhidos.
"Queremos externar publicamente nossa indignação com o episódio lamentável, um ato covarde envolvendo o vereador Antonio Holanda”, afirmou Kelmann Vieira (PMDB), apelando, em vários momentos da entrevista, para que o Poder Judiciário decida a questão no tempo mais breve possível, encerrando o que ele classificou de "insegurança jurídica".
O vereador disse que irá aguardar a decisão da justiça, mas já se considera eleito para o comando da Casa de Mário Guimarães no biênio 2015/2016, uma vez que a liminar suspendendo o pleito só chegou ao plenário ao final das votações individuais para os cargos de presidente, vice-presidente (Simone Andrade), 2º vice-presidente (Dudu Ronalsa) e de 1º, 2º e 3º secretários, respectivamente, Davi Davino, Galba Netto, e Silvio Camelo.
Prisão
Vieira explicou que Antônio Holanda só assumiu a presidência durante a sessão extraordinária porque o presidente da Casa, Chico Filho (PP), ainda não havia chegado ao plenário e, como vereador mais velho, era dele a prerrogativa de abrir a sessão.
“Antônio Holanda estava cumprindo a notificação judicial de dar prosseguimento a eleição, sob pena de ser preso. Ao contrário do que foi dito, não houve usurpação. Ele agiu dentro da lei, mas invadiram o plenário, arrancaram e quebraram os cabos do som para impedir a sessão. Poderia ter ocorrido uma tragédia”, destacou, afirmando que irá divulgar as gravações que mostram a cena.
O vereador também mostrou à imprensa cópia da notificação judicial recebida pelo colega Antônio Holanda.
Após a sessão o grupo se reuniu com o desembargador Klever Loureiro, na sede do TJ/AL. “Esperamos que o desembargador presidente do Tribunal de Justiça tome uma decisão. Não se pode manter essa briga de liminares”, finalizou.
Sem intenção
Por meio da assessoria de Comunicação da CMM, o presidente Chico Filho lamentou o incidente envolvendo o pai e o vereador Antonio Hollanda. "Meu pai foi presidente da Câmara, conhece o Regimento da Casa e viu que o vereador Antonio Hollanda estava prejudicando o meu direito de presidir a sessão. Ele foi até lá tentar convencê-lo a passar a presidência a mim. Quando se apoiou na cadeira, ela foi para trás e, por conta do clima de tensão, as pessoas imaginaram que ele teria puxado meu tio. Jamais houve a intenção de agredi-lo", garantiu.
Chico Filho falou ainda sobre a suposta “invasão” e negou que o som tenha sido cortado propositalmente. "É tradição em todas as casas legislativas, inclusive no Congresso Nacional", que ex-parlamentares tenham pleno acesso ao plenário. Falar em "invasão" numa sessão em que não houve nenhum respeito ao Regimento, em que o presidente foi praticamente destituído do cargo ao ser impedido de presidir os trabalhos, me parece um tanto incoerente. Também não houve corte proposital de som. Houve um estouro, que foi ouvido por todos que estavam no local. Como todos sabem, o plenário está interditado desde que o teto foi danificado pelas chuvas. Mesmo assim, decidiram correr o risco de fazer a sessão lá. A sala de som foi um dos locais mais afetados e o funcionário estava trabalhando com a mesa dando choque.” agurmentou.

