Você assiste às partidas de seu clube de futebol pela televisão, mas, mesmo assim, fica sabendo dos gols pelos gritos do vizinho? Costuma se irritar com o fim da expectativa nos lances de mais perigo? Infelizmente, este problema o perseguirá durante a Copa do Mundo de 2014. A culpa é do delay, um efeito causado pela demora dados transmitidos do estádio até a sua casa e pelo caminho que eles percorrem, via satélite ou cabo. Entenda.
Por que ocorre o delay?
O delay é resultado do tempo necessário para processar os dados de imagem e áudio, convertê-los e distribuí-los. Quanto melhor é o processamento, maior a qualidade de imagem e áudio e mais “pesada” ela fica para ser transmitida. Aliado a isso, há demora de acordo com o caminho que os dados fazem até a casa dos telespectadores. Uma imagem gerada em um estádio da Copa do Mundo pode ser enviada por satélite para a emissora, de lá codificada, comprimida, transformada em sinal digital, encaminhada por satélite para a operadora e então repassada aos clientes, por exemplo. Quanto mais “saltos” houver, maior será o delay.
A demora causa incômodo efetivamente porque muitas casas ainda contam com sinal analógico, de menor qualidade e transmitido de forma mais rápida. Uma televisão que funcione por antena VHF, por exemplo, capta o sinal de áudio e imagem por ondas de rádio, que são enviadas de forma consideravelmente mais rápida em relação ao que ocorre com o sinal digital. O seu vizinho que grita “gol” muito antes provavelmente desligou a parabólica ou o aparelho da TV por assinatura para ver a rede estufar em menos tempo, mas com imagem muito pior.
Há alguma forma de eliminar o delay?
Não, como explica o especialista em telecomunicações, Dane Avanzi: “sempre haverá o delay. Em cada empresa que estiver fazendo a transmissão, dependendo da capacidade de tráfego da operada, vai gerar mais ou menos delay”. Haverá possibilidade de eliminar os efeitos incômodos dele a partir de 2015, quando o governo iniciará o desligamento gradual, orientado por grupos de cidades, do sinal digital.
As principais operadoras de TV por assinatura já não oferecem sinal analógico. Em um condomínio que as pessoas usem a mesma provedora, por exemplo, ninguém poderá gritar gol com antecedência. O delay deixará de incomodar quando todos tiverem delay.
“Um grande delay na transmissão existia quando o sinal analógico ainda era transmitido pela rede da Net. Hoje, clientes não possuem mais em suas casas a transmissão dos canais em analógicos, todos clientes (nas principais cidades) somente possuem sinal digital, o que elimina a comparação com o analógico”, explica Alessandro Maluf, gerente de marketing da operadora.
Qual é a média de delay para as transmissões?
O tempo de delay, como já explicado, depende de uma série de fatores. A Net, que trabalha com transmissão via cabo, não faz o cálculo do tempo médio. “Não é possível afirmar o tempo de delay de cada um, pois depende de fatores que não são controlados pelas operadoras como, por exemplo, adição de propaganda, alguma inserção de vídeo em estúdio”, afirmou Alessandro Maluf. Isso porque a operadora não altera o sinal e repassa aos assinantes exatamente o que é recebido pelas geradoras.
A Sky, que faz a transmissão por satélite, confirma que a diferença pode chegar a 5 segundos. “Isso acontece porque a SKY precisa converter o programa analógico para digital, processar para melhorar a qualidade, subir o sinal para o satélite e, então, enviar as residências de todo o Brasil. Quando o sistema analógico das TVs abertas for completamente desligado o efeito irá diminuir, pois o sinal digital das TVs abertas também passará pela etapa de processamento de compressão digital e, desta forma, sofrerá delay como nas tecnologias de TV por assinatura”, explica Luis Otávio Marchezetti, diretor de engenharia da Sky.