Os gastos do governo do Estado com propaganda oficial e o crédito suplementar destinando R$ 8 milhões e 800 mil a Secretaria de Estado de Comunicação (Secom) repercutiram entre os deputados na sessão ordinária desta quarta-feira (23), na Assembleia Legislativa de Alagoas (ALE).
Ronaldo Medeiros (PT) afirmou que, enquanto áreas como saúde e segurança agonizam, o Governo do Estado autoriza a abertura do crédito suplementar, publicado na edição de ontem (22) do Diário Oficial, para o que ele classificou de "propaganda enganosa".
Primeiro a usar a tribuna, Judson Cabral (PT) criticou a morosidade das obras da reforma da Maternidade Santa Mônica, que ficou às escuras nesta semana após um curto-circuito provocado pelas chuvas. "É impressionante a inércia do Estado em relação a obra, enquanto gasta milhões em propaganda enganosa", afirmou, sugerindo que os gastos destinados a publicidade oficial sejam investigados pela Casa.
O petista disse que o assunto deve ser fiscalizado, sob suspeita de crime de responsabilidade: "Até que ponto a maternidade de referência sacrifica a vida de mães e filhos enquanto o governo esbanja com propaganda enganosa com o dinheiro público". Em aparte, JHC (SDD) também criticou a mais recente publicidade relacionada ao combate a febre aftosa.
O líder do governo, Edival Gaia (PSDB) defendeu a veracidade das ações governamentais divulgadas nas propagandas e citou algumas obras realizadas pelo Executivo, a exemplo do Canal do Sertão. "Vossa Excelência talvez foi contagiado com a propaganda enganosa, que é acintosa, desrespeitosa. Sem contar que é um monopólio, uma manobra, com os recursos destinados a propaganda divididos entre empresas que se revezam com fatias predeterminadas do bolo", frisou Cabral, acrescentando que o Ministério Público Estadual (MPE) precisa se aprofundar no assunto.
Em resposta às críticas, Gaia atacou o Governo Federal. "O PT quebrou a saúde e a segurança no País, mas as consequências caem no lombo dos estados e municípios. Enquanto as drogas entram no Pais pelas divisas descobertas, o governo federal investe numa refinaria que não serve para nada", alfinetou, se referindo ao caso Passadena.
Cabral reagiu afirmando que o Estado é incompetente para fazer o "dever de casa" e disse que o único índice que cresce em Alagoas é o "ICCF": Índice de Crescimento de Casas Funerárias. "Esse é um dos maiores crescimentos do Estado e os donos de funerárias estão rindo à toa".
