O ex-vice-governador de Alagoas, José Wanderley Neto, é um dos nomes do PMDB que pode estar presente nas eleições de 2014. Wanderley - assim como Luciano Barbosa - é cogitado como possível candidato ao Senado Federal. Em entrevista afirma que não é uma prioridade e que acha que tem mais a contribuir como um técnico, mas não descarta a possibilidade.
José Wanderley diz ainda que o partido está focado em manter um projeto e que - segundo ele - o nome que encabeçaria a frente de oposição seria secundário. Todavia, nas entrelinhas mostra que dificilmente o senador Renan Calheiros (PMDB) será o candidato. Na visão de Wanderley, o partido não pode perder a "liderança que se constrói de gerações em gerações" em Brasília.
As alianças ainda não estão totalmente fechadas. O PMDB ainda conversa com os partidos da base da oposição, mas - pelas entrelinhas da entrevista - já é possível visualizar que Renan Calheiros e Fernando Collor de Mello (PTB) devem se encontrar em campos políticos diferentes nas eleições deste ano.
O senhor é um médico conceituado no Estado de Alagoas e sempre teve uma participação ativa na política local. Foi candidato a prefeito e vice-governador. Como surgiu esta paixão pela política?
Quando eu me entendi de gente eu já vivia num ambiente político. Cacimbinhas era um povoado de Palmeira dos Índios e quando foi emancipado, meu avô foi o primeiro prefeito. Depois meu tio, depois meu irmão. Fui criado num ambiente assim. No colégio, sempre participei de atividades, como o teatro. Eu sempre estive em ambientes muito politizados, mas nunca política partidária. Isto foi algo que só chegou bem mais tarde. Na faculdade, fiz política estudantil, mas pouco porque a medicina absorve. Fui presidente do Conselho Regional de Medicina, de outras entidades nacionais. Na política partidária foi uma consequência, quando me sobrou algum tempo. Entrei nela por conta de Alagoas ser um Estado que você acaba se envolvendo para ajudar. Quando você fica perto do fogo, acaba se queimando (risos). Mas nunca imaginei que chegaria a disputar uma eleição algum dia, ou seria vice-governador em função de uma composição.
O senhor durante todo este tempo no PMDB disputou apenas uma eleição, não é isso?
Sim. Disputei uma eleição para prefeito que foi uma coisa assim meio improvisada. Eu já tinha sido tentado outras vezes a participar de pleitos eleitorais. A eleição para prefeito foi atípica. O PSB estava no comando da Prefeitura de Maceió. Você tinha o Cícero Almeida com 60% dos votos. João Lyra querendo ser candidato com apoio de rádio e jornal. O PSDB e o PMDB tinha uma parceria muito grande com Renan Calheiros e o governador Teotonio Vilela. O PSB saiu na frente sem a nossa parceria e o Vilela acabou virando candidato. A ideia era que eu fosse o vice, mas acabou sendo o Régis Cavalcante (PPS) sendo o vice. Eu até defendi essa ideia. Falei com Régis Cavalcante ainda na convenção. O Téo teve problemas pessoais na época e eu acabei virando o candidato. Eu relutei muito, mas depois me convenceram. Eu imaginava que eu não teria muitos votos, mas acabamos tendo. Era uma situação curiosa: se eu fosse para o segundo turno, pesquisas qualitativas mostravam que eu tinha chances de ganhar. A campanha foi crescendo. Acabamos ficando fora do segundo turno.
E como o senhor chegou ao caro de vice-governador em uma administração da qual o PMDB é oposição?
Na eleição seguinte para governador, em 2007, acabou se chegando ao nome do PSDB e o PMDB indicaria o vice. Eu ponderava: se achar um nome melhor, quero que coloquem. Eu posso ajudar em outro lugar. Eu gosto muito da medicina e ela exige muito da gente. Sempre foi minha atividade para a qual me dediquei. No início, o governador Teotonio não achava que eu era o vice ideal. Ele tinha relutâncias. Ele achava que seria a Célia Rocha, mas na época ela era do mesmo partido e não fazia sentido na lógica da política. Mas, depois ele acabou me conhecendo melhor e acabou achando que foi uma boa escolha.
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