A tumultuada relação entre os servidores da Assembleia Legislativa de Alagoas (ALE) e o procurador-geral da Casa, Fábio Ferrario, ganhou novos capítulos nesta segunda-feira (10), quando o advogado recomendou que a aposentada Alari Romariz – um das mais ferrenhas críticas da Mesa Diretora – fosse intimada a divulgar os nomes dos servidores efetivos enxertados na folha de pessoal, conforme ela denunciou ao Ministério Público Estadual (MPE).
O procurador sugeriu até a intervenção da Secretaria de Defesa Social (Seds) caso à aposentada se recusasse a apresentar os nomes.
Coincidentemente ou não, depois que a recomendação foi divulgada, o servidor da ALE, José Eduardo de Moraes Sarmento, encaminhou uma nota ao Sindicato dos Trabalhadores do Poder Legislativo de Alagoas (Stplal) cobrando respeito e dignidade por parte de Ferrario em relação aos servidores do Poder Legislativo.
Na nota repassada à imprensa, o servidor diz que algumas medidas propostas pela Procuradoria Geral da Casa estão tirando a paz dos funcionários “que deram e dão a sua vida pela ascensão de muitos deputados que por lá passaram e por lá estão, sem, inocentemente, terem se preparado para uma velhice com dignidade e respeito”.
Atritos
Os atritos entre os servidores efetivos da ALE e o procurador-geral ocorrem desde o ano passado, quando Ferrario foi para nomeado para o cargo, após a eclosão do escândalo envolvendo a folha de pagamento do Poder Legislativo.
Enquanto os funcionários efetivos acusam o advogado de perseguição, ele defende que todas as medidas sugeridas até o momento visam à moralização e legalização da Casa de Tavares Bastos.
A justificativa do procurador-geral é refutada pela categoria, que afirma que tais medidas, a exemplo da implantação do ponto eletrônico, não atingirão a todos os servidores. Em entrevista à imprensa em outubro passado, o presidente da Associação dos Servidores da Assembleia (Assala), Eduardo Fernandes, citou o princípio da isonomia para defender que a determinação fosse aplicada também aos comissionados.
Confira a nota do servidor na íntegra:
“Família Legislativa merece dignidade
Sabe-se que a nossa Casa é composta por funcionários, com faixa etária elevada, os quais deram e dão a sua vida pela ascensão de muitos deputados que por lá passaram e por lá estão, sem, inocentemente, terem se preparado para uma velhice com dignidade e respeito.
A Assembleia Legislativa é a caixa de ressonância da sociedade com um telhado de vidro, onde todos querem atirar pedras para que o eco se dissipe nas redes midiáticas, atingindo os mais recônditos lugares.
A atitude legislativa não deve ser pautada em atos de ódio, rancor ou revanchismo, o importante é que rompamos a crosta do egoísmo que nos afasta do amor ao próximo, que se distancia à medida que o ter se sobrepõe ao ser.
Como pais e mães de família, não desejamos a expulsão dos nossos filhos do nosso convívio, queremos, sim, a união e a paz dentro do nosso lar, a fim de que possamos viver o verdadeiro amor.
O amor é sofredor, é benigno; o amor não é invejoso; o amor não se vangloria, não se ensoberbece, não se porta inconvenientemente, não busca os seus próprios interesses, não se irrita, não suspeita mal; não se regozija com a injustiça, mas se regozija com a verdade; tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. (I Cor 13,4-7)”.
