(Atualizada as 19h)

O pedido de adiamento da votação da Lei Orçamentária Anual (LOA) para 2014, feito pelo deputado João Henrique Caldas (SDD) na sessão desta terça-feira (14) e acatado pela presidência da Assembleia Legislativa de Alagoas (ALE), gerou um mal-estar entre parlamentares e representantes dos militares que acompanharam a sessão, tudo porque o deputado Isnaldo Bulhões (PDT) acusou os militares de realizarem um "lobby escuso" ao solicitar que JHC pedisse o adiamento da matéria.

“Mesmo depois de terem acordado com a Casa e com o governo do Estado que a LOA seria votada hoje, com a emenda destinando R$ 81 milhões para os projetos de interesse da categoria, os militares fizeram um lobby escuso para que o Orçamento só seja votado junto com os projetos de lei, obstruindo a pauta e prejudicando servidores da Casa e professores”, desabafou Bulhões, para surpresa dos colegas.


Fernando Toledo (PSDB), presidente da Casa, mostrou irritação com o suposto lobby e ameaçou desfazer qualquer compromisso referente à tramitação das matérias de interesse dos militares.


Os deputados Flávia Cavalcante (PMDB) e Jota Cavalcante (PDT), que preside a Comissão de Orçamento da Casa, também reagiram com surpresa ao pedido feito pelos militares a JHC. "Estamos agindo as claras, sem subterfúgios, por isso rompo o meu compromisso se a posição dos líderes militares for essa", alfinetou Jota Cavalcante.

JHC confirmou que houve o pedido de adiamento por parte dos militares, mas negou que houvesse pressão: "Eu já vim preparado para pedir esse adiamento", afirmou, acrescentando que a peça orçamentária pecava, mais uma vez, pela falta de transparência.

Antônio Albuquerque (PRTB) chegou a solicitar mais uma suspensão da sessão para entendimento de lideranças, na tentativa de situar JHC acerca do Orçamento. O pedido foi acatado pelo presidente da Casa, mas não surtiu o efeito desejado e uma nova sessão foi marcada para quarta-feira (15), às 15h15.

Pressão

O presidente da Associação dos Oficiais Militares de Alagoas, subtenente Teobaldo Almeida, confirmou que a categoria solicitou do deputado João Henrique Caldas o adiamento da votação como forma de “pressionar” o Governo do Estado a enviar o projeto de lei que trata do realinhamento da categoria até a próxima sexta-feira (17).

Almeida não quis comentar a afirmação feita por Bulhões de que a categoria teria realizado um “lobby escuso”. Ele disse que na sexta-feira será realizada uma assembleia geral e, caso o governo não envie o projeto ao Poder Legislativo, a categoria pode deflagrar uma nova ‘Operação Padrão’.

O secretário de Articulação Política, Rogério Teófilo, que também estava na ALE, esclareceu que o projeto do realinhamento só pode ser enviado pelo executivo após a aprovação do Orçamento. Questionado se isso seria possível até o final da semana, Teófilo voltou a frisar que dependia da aprovação da LOA.