Enquanto pavimenta a eleição para governador de Alagoas (2018), o prefeito Rui Palmeira constroi a sua reeleição para a capital em 2016.
É um caminho longo. Mas, com a oposição silenciosa e sem pretensos candidatos (ainda se recupera da desistência de Ronaldo Lessa e investe maciçamente nas urnas ao Governo este ano), Rui vai à disputa e, se ganhar, tenta o Governo em 2018.
Usa lemas internos do governador de Pernambuco, Eduardo Campos: propaganda, gestor moderno, eficiência na máquina pública, metas a serem cumpridas.
E Campos é hoje um candidato competitivo à Presidência da República.
Não há uma pesquisa oficial sobre a posição de Rui Palmeira no eleitorado. Os tucanos diziam ter números favoráveis dele para as eleições ao Governo.
Mas, uma rápida análise das redes sociais mostra que o efeito das festas de final de ano, o festival de verão, o carnaval descentralizado agradam à imagem da Prefeitura.
Tanto que adesivos espalhados na capital usam os mesmos elementos de Campos em Pernambuco: lá, é a bandeira do Estado; aqui, o coração e, dentro dele, uma onda no mar e um sol intenso- também para atrair o turista e o empresário.
O modelo pernambucano- unido a experiências tucanas em São Paulo- também está na administração do prefeito de Maceió.
Rui quer as duas Unidades de Pronto-Atendimento (UPAs)- inauguradas até o final do ano- geridas por Organizações Sociais, as OSs. A chamada "terceirização da saúde pública". O modelo paulista contrata sem concurso público, a mão de obra nem sempre é adequada (vide protestos de junho e a principal reclamação: Saúde), ações na Justiça do Trabalho (precarização dos trabalhadores, atraso salarial) e no Supremo Tribunal Federal (que pode invalidar estes convênios).
As OSs da era Cícero Almeida- na Educação- desmantelaram o funcionalismo nas escolas e os projetos para a pasta; na Assistência Social, Maceió foi descrenciada pelo Ministério do Desenvolvimento Social- e com OSs em pleno vapor.
Prioridade da atual gestão, a saúde ainda registra falta de medicamentos nos postos.
Na Aldeia do Índio, o posto não tem dentista há anos. Há um projeto para o muncípio assumir o antigo posto (estadual) da praça da Maravilha, que tinha os melhores dentistas da região.
Na Educação, a secretária Ana Dayse terá pela frente a recuperação dos prédios (em situação deplorável). A proposta de Rui é decretar emergência só para reformar as escolas. A capital alagoana é a de maior proporção de crianças de 10 anos de idade que não sabem ler nem escrever.
Basta um passeio pelo terminal de ônibus do Mercado da Produção (entre o Dique Estrada, Prado e Virgem dos Pobres): crianças seguem as mães viciadas em crack. Elas, os cachorros e os gatos abandonados em meio ao lixo e as fezes são iguais no descaso.
Até o final da era Rui serão atraídos pelo tráfico ou terão sido dizimados pela polícia, comerciantes (contratando milícias) ou a população (linchamento).
A mobilidade urbana terá um desafio: como conciliá-la com a especulação imobiliária e a verticalização da parte alta da cidade?
O crescimento de Maceió terá pela frente a exclusão, os dependentes do Bolsa Família, a decisão política para alternativas às crianças e aos jovens espalhados pelas ruas da capital (mendigos).
O transporte de massa (licitação e o VLT): se não houver questionamentos na Justiça, as ruas sentem os efeitos da licitação dos ônibus em dois anos; o VLT (custa R$ 1 bilhão, cálculos da Prefeitura) não sai em menos de quatro anos.
Rui começa a administrar bem, mas a lua de mel atinge o clímax com os números.
Eles vão mostrar quem é o prefeito que quer sentar na cadeira marrom do Palácio República dos Palmares.