Ao assinar acordo com os servidores públicos, o prefeito Rui Palmeira mostra ao governador Teotonio Vilela Filho que as duas administrações têm começos diferentes, apesar de ambos serem do PSDB. 

Palmeira tenta resolver os conflitos com os servidores; Vilela investe- ele mesmo- na própria impopularidade e mina qualquer chance de defesa do secretariado à própria administração. 

Foi assim ao anunciar o pagamento do rateio do Fundeb aos professores. Garantiu o de 2013, descartou 2014 (só paga às melhores escolas, como disse em evento público) e agora só paga 2013 em janeiro/2014, afirmando que o problema é da Assembleia Legislativa. 

E não é. 

O Governo só paga o rateio 2013 porque o ex-secretário de Educação e Esportes, Adriano Soares, falou sobre a existência da verba no Facebook. 

Uma verba que ganhava destino ignorado na era Vilela. 

O governador investe na própria impopularidade. 

Tenta desidratar a imprensa ao responsabilizá-la pela “onda de terror” em Alagoas. 

Mas, não é o próprio Governo quem diz que o alagoano carrega a própria “cultura da matança”? Uma teoria dos eugenistas, reinventando os tratados de Biologia e reencaixando ao século XXI, com doses preconceituosas.

Seis mortos por dia é um número bastante expressivo e parece incômodo demais ao Governo assumir, para si mesmo, um problema que é dele. 

Nem a bancada de apoio a Vilela na Casa de Tavares Bastos nem os federais, com cargos no Governo- como o senador Benedito de Lira- deixam de criticar o governador na área da segurança. 

Que não é problema do secretário de Defesa Social, Dário César. E sim da administração inteira. 

Talvez a forma de reger o Governo- servidores de um lado e Executivo do outro- seja algo original demais na teoria política. 

E arriscada.