O bloco de esquerda abriu conversas para uma coalizão, nas eleições 2014, e enfrentar, nas urnas, os senadores Renan Calheiros, Fernando Collor e o governador Teotonio Vilela Filho.

O objetivo é uma chapa envolvendo PSTU, PSOL e PCB com chances de levar as eleição ao Governo ao segundo turno.

Uma das propostas é que o PCB lance o historiador Golbery Lessa ao Governo; Heloísa Helena- pelo PSOL- ao Senado. E o PSTU indique um nome a deputado federal. 

Veja carta manifesto das esquerdas:

1. O PCB-AL vem a público fazer um chamado aos partidos (PSTU e PSOL) e outras organizações que reivindicam o socialismo revolucionário, com o Espaço Socialista (ES), a Consulta Popular, o Partido Comunista Revolucionário (PCR), o Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST), a Comissão Pastoral da Terra (CPT), o Movimento de Libertação dos Sem Terra (MLST), o Movimento Terra, Trabalho e liberdade (MTL) e o Coletivo Anarquista Zumbi dos Palmares (CAZP), entre outras, para a construção de uma ampla Frente de Esquerda em Alagoas na luta de massas e nas eleições de 2014, com vistas a potencializar os esforços para ampliar a organização independente e a consciência revolucionária das classes oprimidas.

2. Durante as já célebres Jornadas de Junho, em Alagoas, como em todo país, as organizações revolucionárias uniram-se em defesa dos símbolos do ideal socialista ameaçados por grupos fascistas saídos, repentinamente, das sombras onde habitam. A ascensão de uma atitude rebelde em vários setores da classe trabalhadora e da classe média colocou efetivas oportunidades para avanços na construção de uma via revolucionária, mas construiu, igualmente, condições para a extrema direita propagandear suas ideias conservadoras. A unidade momentânea da esquerda alagoana e brasileira, expressa simbolicamente pela corrente de braços dados ao redor das bandeiras vermelhas, não ocorreu apenas pela necessidade de defesa diante de uma ameaça comum, mas, principalmente, por uma imposição derivada do fato de que a conjuntura modificou-se completamente, colocando para todos os grupos gigantescas tarefas de organização e diálogo com as classes oprimidas. Tarefas impossíveis de serem efetivadas, de maneira isolada, por qualquer das organizações da esquerda. A falta de unidade tornou-se um equívoco demasiadamente caro.

3. A partir do rompimento da bolha financeira planetária, ocorrido em 2008, a crise estrutural do capitalismo agudizou-se, levando o grande capital e seus governos a arrancarem as próprias máscaras de vez. Após os estados doarem 10 trilhões de dólares aos grandes bancos, a burguesia mundial passou atuar a partir de um lema abertamente cínico, recusando qualquer véu ideológico atenuante: “O Estado é propriedade do capital, a democracia e as políticas públicas atrapalham os negócios e, portanto, devem ser eliminadas”. Esse novo pressuposto, uma radicalização e uma explicitação da postura anterior, já suficientemente perversa para ser considerada infame, foi colocado em prática, nos últimos cinco anos, por meio de um avanço assustador da mercantilização dos serviços públicos, da criminalização dos movimentos sociais, da multiplicação de intervenções imperialistas, do aumento da fatia orçamentária para pagamento de juros das dívidas públicas, da ampliação do deslocamento de capitais para países periféricos, entre outras manifestações de barbárie.

4. A população atingida por essa nova fase neoliberal tem reagido com uma coragem e uma perspicácia à altura do caráter trágico da conjuntura, o que vem se expressando em massivas mobilizações de rua, enfrentamentos violentos com os agentes da Ordem, insurreições democráticas, resistência armada às investidas imperialistas, entre outros fenômenos análogos.

5. Em Alagoas, devido à particular radicalidade da captura do estado pelo grande capital canavieiro, via oligarquias, o período clássico de ampliação das políticas públicas no Brasil e no mundo, compreendido entre as décadas de 1950 e 1960, expressou-se de modo muito mitigado, tendo sido gestados em seu interior serviços públicos residuais, fragmentados e radicalmente patrimonialistas. Em consequência, a onda neoliberal planetária se expressa em Alagoas, um dos territórios economicamente mais atrasados do periférico capitalismo brasileiro, de modo mais intenso do que em quase todos os outros estados do país e sintetiza-se com as singularidades locais coerentes com os princípios neoliberais para produzir uma tragédia social de dimensões gigantescas.

6. Como o modelo neoliberal representa uma volta ao passado do capitalismo, no sentido da negação das políticas de bem-estar social e da criminalização dos movimentos sociais, entre outros elementos já elencados, pode-se considerar que Alagoas sempre viveu sob esse modelo econômico, social, cultural e político e que, portanto, a presente fase do neoliberalismo apenas agrava os já históricos problemas alagoanos. Não foi, portanto, por acaso que Fernando Collor de Mello constituiu-se em um das primeiras lideranças políticas da direita brasileira a apresentar-se como arauto do neoliberalismo no país e a vencer politicamente, entre 1989 e 1992, todos os outros representantes do capital. A direita alagoana, como ocorre com essa corrente em alguns outros estados brasileiros, como o Maranhão e o Piauí, estava especialmente preparada para reproduzir o discurso neoliberal, pois colocava em prática seus princípios há décadas. Por outro lado, como a história é sempre dialética e as mais generosas tendências surgem no interior das piores situações, foi também em Alagoas que surgiu uma das vozes antineoliberais de maior repercussão nacional: Heloísa Helena.

7. Os governos constituídos pelas oligarquias alagoanas, financiados pelos seis grandes grupos usineiros atuantes no estado, ou seja, pelo grande capital, não se diferem, em essência, dos governos neoliberais em qualquer parte do mundo contemporâneo, já que esses núcleos de poder estão pondo em prática um projeto análogo ao histórico projeto das oligarquias locais de funcionalizar o Estado exclusivamente para os interesses do capital.

8. Portanto, mesmo atuando localmente e levando em conta as especificidades estaduais, uma Frente de Esquerda não pode ser apenas um movimento de massa contra as oligarquias e o grande capital canavieiro, precisa lutar, também, para ser coerente, pela superação do próprio capitalismo nos níveis local, nacional e internacional, de acordo com as possibilidades e as correlações de força de cada conjuntura. A Frente precisa ser, antes de tudo, uma unidade no movimento de massas, na organização dos camponeses, trabalhadores, estudantes, setores médios progressistas e dos oprimidos em geral, pois é da organização de base que surgirá progressivamente o Poder Popular, instrumento imprescindível no processo de superação do capital e do Estado. Concomitantemente, a Frente deve atuar como uma aliança nas eleições de 2014, e posteriores, entre os três partidos formalmente estabelecidos (PCB, PSTU e PSOL) e todas as outras organizações e individualidades que reivindicam o socialismo revolucionário (inclusive aqueles que, legitimamente, defendem voto nulo). As eleições são um momento no qual os vários representantes políticos do capital procuram legitimar a si mesmos, o Estado e a Ordem capitalista diante dos oprimidos. A participação das forças revolucionárias no processo eleitoral somente se justifica se seus objetivos forem o estabelecimento de uma resistência àquele processo de legitimação e a busca de transformá-lo no seu contrário, ou seja, em um momento de intenso debate entre os oprimidos sobre as inconsistências dos discursos da direita, do Estado e Ordem.

9. Não existe possibilidade de um governo estadual pós-oligárquico hegemonizado por uma “burguesia democrática e progressista”, pois inexiste uma “burguesia democrática e progressista” em Alagoas ou em qualquer estado brasileiro. Apesar de muito pouco provável na atual conjuntura, dada a adversa correlação de forças e os defeitos do sistema eleitoral sob o capitalismo, o significado de uma eventual vitória da Frente de Esquerda nas eleições para o governo do estado e a Assembleia Legislativa precisa ser debatido e esclarecido do ponto teórico e político. A vitória eleitoral não obrigaria as forças revolucionárias a utilizarem a máquina pública para “completar o capitalismo em Alagoas, tornando-o plenamente industrializado e democrático” ou para “democratizar o Estado, superando o patrimonialismo”. Uma Frente de Esquerda poderia fazer o contrário: ocupar a pequena fração do poder nacional representado pela máquina pública alagoana para desmontá-la enquanto instrumento de opressão contra as classes oprimidas, ou seja, efetivar um governo absolutamente hostil ao capital e diretamente baseado em conselhos populares nos quais estivesse representada sua base social revolucionária: os camponeses e os outros oprimidos da terra (como assentados, acampados quilombolas e indígenas), os assalariados do campo, os operários das usinas, os trabalhadores da construção civil, os químicos, os petroleiros, os comerciários, os funcionários públicos, bem como todas as outras categorias de assalariados urbanos, os pobres colocados à margem da economia e os setores progressistas da classe média.

10. O PCB-AL, portanto, propõe para a atual conjuntura alagoana uma Frente de Esquerda como movimento de massas permanente e como aliança nas eleições estaduais em 2014, e posteriores, entre os partidos e outras organizações que reivindicam o socialismo revolucionário. Defende uma Frente anti-oligárquica, antineoliberal, socialista e revolucionária. Este movimento de massa e esta aliança eleitoral seriam capazes de abrir um novo horizonte político para os alagoanos, constituindo um projeto com robustez programática e organizacional capaz de imantar amplas massas e fazê-las acreditar que uma nova Alagoas é possível no interior de um mundo socialista e emancipado.

Maceió, Alagoas, 26 de dezembro de 2013
Comitê Regional do PCB-AL

Fonte: https://www.facebook.com/pcbalagoas