O primeiro ano de Xi Jinping como presidente da China foi marcado pelo anúncio de grandes reformas econômicas e sociais, entre elas o fim dos campos de reeducação e o relaxamento da política do filho único, mas também será lembrado pela realização do julgamento do ex-líder Bo Xilai.
Em 15 de novembro, o Partido Comunista da China lançava o mais ambicioso plano de reforma empreendido pelo regime desde a primeira onda iniciada por Deng Xiaoping em 1978, uma grande mudança decidida durante quatro dias de plenário a portas fechadas pelos hierarcas chineses.
A mudança inclui desde permitir mais casais chineses a ter um segundo filho (aqueles nos quais um dos cônjuges não tenha irmãos), a erradicar a tortura em interrogatórios policiais, reduzir os delitos condenáveis à pena de morte e relaxar as estritas limitações à imigração rural.
Não menos transcendentais são as reformas econômicas decididas no mesmo plenário, começando pela liberalização dos bancos e de setores monopolizados pelo Estado, o atraso da idade de aposentadoria e a reforma de posse de terras.
Este reformismo foi a grande carta de apresentação de Xi, que chegou à Presidência do país em 14 de março e durante seus primeiros meses no poder fez viagens que mostraram as prioridades de seu novo Governo em política externa (Rússia, África, EUA e América Latina).
Seu começo no mais alto degrau do poder também foi marcado por um apelo à austeridade no gasto público e uma renovação da luta contra a corrupção no regime.
Algo que foi demonstrado com famosas destituições e ordens de investigação contra poderosos, acusados de más práticas, desde o ex-vice-ministro de planejamento econômico Liu Tiannan ao ex-presidente da Petrochina, a maior petrolífera estatal, Jiang Jiemin.
Ao mesmo tempo foram encerrados escândalos iniciados antes da chegada de Xi à Presidência, como o do ministro de Ferrovias Liu Zhijun, condenado à morte em julho por aumentar sua fortuna graças ao desenvolvimento da rede de alta velocidade.
Embora o julgamento mais famoso do ano - e das últimas três décadas - na China tenha sido o do carismático ex-secretário geral da cidade de Chongqing, Bo Xilai, destituído em 2012 quando parecia que assumiria um lugar no poder.
O julgamento, realizado em agosto e que terminou com uma condenação à prisão perpétua em 22 de setembro, representou um curioso experimento de "semitransparência" por parte do regime, já que, embora fosse fechado à imprensa estrangeira, parte da audiência foi transmitida pelos tribunais de Jinan na internet.
Com estas informações controladas, o julgamento adquiriu um tom de espetáculo, ao mostrar um Bo que desafiava os juízes proclamando sua inocência, tachava sua esposa (condenada por assassinato em 2012) de louca e contou com todos os detalhes quanto gastavam o dinheiro público para os caprichos de seu filho.
Na parte negativa da cruzada anticorrupção foi chocante ver que embora Xi tenha estimulado a princípio as denúncias públicas a altos cargos suspeitos, mais tarde foi acusado de perseguir cidadãos que queriam ir nessa direção, como jornalistas que revelaram escândalos de líderes de movimentos pró-transparência.
O ano de 2013 também foi marcado por tensões em conflitos históricos que a China mantém tanto com seus vizinhos (Japão, principalmente) como com as minorias étnicas do interior do país (tibetanos e uigures).
Com o Japão, o Governo com o qual Xi evitou todo contato de alto nível, o conflito territorial pelas ilhas Diaoyu/Senkaku alcançou seu auge no final de novembro, quando a China anunciou unilateralmente uma ampliação de sua zona de defesa aérea a coordenadas sobre esse arquipélago, de controle japonês.
Os velhos problemas étnicos na China voltaram a ser foco informativo neste ano, primeiro o conflito uigur, quando em 28 de outubro três supostos membros dessa etnia muçulmana realizaram um ataque suicida no coração do regime, a entrada da Cidade Proibida de Praça da Paz Celestial, deixando dois mortos e 49 feridos.
Também foi um ano no qual o problema da poluição em cidades como Pequim esteve mais nas manchetes do que nunca, ao alcançar níveis de alto risco no inverno, e no qual a China lançou uma nova missão tripulada na qual um dos cosmonautas, a oficial Wang Yaping, deu uma histórica aula do espaço para milhões de crianças chinesas.









