As causas de violência contra a mulher e as formas de combate foram tema de sessão especial realizada no plenário da Assembleia Legislativa na tarde desta segunda-feira, 16. Diversos movimentos femininos participaram da sessão, convocada pelo presidente da Comissão de Direitos Humanos da Casa, deputado Judson Cabral (PT). Ele justifica que, devido aos números da violência contra a mulher, não poderia deixar a iniciativa, mesmo com o recesso parlamentar que, teoricamente, já teve início neste domingo, 15.
De acordo com Judson Cabral, a sessão atende a uma manifestação do movimento de mulheres do Estado, especialmente as da área rural, devido aos registros de casos relacionados ao sexo feminino. “O estudo divulgado recentemente nessa área aponta para Alagoas como o terceiro estado mais violento do País com relação às mulheres e nosso objetivo é integrar os movimentos. A partir do momento em que a Assembleia abre suas portas para debater esse tema, a discussão toma um caráter preventivo, por servir de alerta para a sociedade”, explica ele.
Coordenadora do Núcleo Temático Mulher e Cidadania, da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), a professora Maria Aparecida de Oliveira, considera que a violência contra a mulher em Alagoas se deve a uma questão cultural. “E está ligada ao patriarcado e ao machismo que, ao lado da violência, forma um tripé”, considera a professora. Ela cita, como exemplo, as diferenças de gênero no mercado de trabalho. “A diferença salarial, praticada contra a mulher, é uma discriminação, que leva ao conceito de violência. Um questionamento que devemos fazer, por exemplo, é por que a jogadora Marta tem um salário inferior ao de um jogador masculino”, compara Aparecida.
A integrante do Movimento da Mulher Trabalhadora Rural (MMTR), Verônica Santana, alerta para o fato de, apesar dos vários mecanismos de combate, os casos de violência continuam aumentando contra o sexo feminino. “Um dos motivos é a falta de investimento em educação”, considera ela. Verônica concorda com a professora Maria Aparecida Oliveira, de que se trata de uma questão cultural.
Questionada sobre a informação recente de tráfico de mulheres, especialmente as chamadas “mulheres fruta”, Verônica considera que a situação demonstra que a mulher é mais vítima da situação. “Porque são expostas de forma a ridicularizarem-se”, explica. Os casos recentes de violência contra a mulher e registrados recentemente não apenas em Alagoas, mas em outros Estados e que ganharam repercussão serviram de debate no plenário do Legislativo estadual.