Os deputados estaduais estão longe- talvez até demais- do debate sobre a segurança pública de Alagoas.
Por isso, encontrar- na Casa de Tavares Bastos- vozes qualificadas ressoando pelo fim da violência é quase uma tarefa impossível.
A Operação Taturana mostrou que um comandante da PM era o "dedo-duro" do deputado quadrilheiro. Prestava-se ao papel de criminoso. E pior: fardado.
Provas? Uma gravação da Polícia Federal.
Seria um crime, se a Corregedoria da PM agisse.
E a Corregedoria é um prédio com uma placa na porta.
Então, há que se defender a saída do coronel Dário César- da Defesa Social?
Logo este pedido vindo da Assembleia, cercada por um Exército de PMs abrindo portas e servindo cafezinho por todos os lados?
O debate sobre a segurança pública é maior que as fronteiras do Estado ou de homens sem sangue nas veias na Defesa Social.
Está presente nos discursos do passado e nos raros da bancada federal alagoana do presente.
Vai além da eleição, mas também além do atual discurso do Governo, jogando para a plateia as ações prendendo bandidos de chinelo de dedo e descalços, como se eles fossem a nossa parte podre, a ser jogada fora. Ou dentro do presídio.
Dário César está só dentro da era tucana, que desde a lambança no lançamento do Brasil Mais Seguro tratou a ação como problema federal.
E não é. A violência alagoana não é a paulista ou carioca. Tampouco comparada a outros lugares do mundo.
O Governo não encara as escolas em tempo integral, a melhoria dos serviços da saúde pública, a transformação de jovens atraídos pelo tráfico em gente.
Não oferece dignidade na hora de nascer nas maternidades superlotadas. E na hora da morte o caixão é comprado com o dinheiro do vereador ou deputado, como se vassalos fossem pedindo dinheiro aos seus senhores.
A vida em Alagoas- sob a caldeira das usinas fumegantes- vale menos que um grão de areia.
Pedir o envolvimento da sociedade na discussão sobre a violência?
Os usineiros se envolvem no instante exato do prejuízo em suas lavouras às medalhas que trocam nalgumas épocas do ano, como heróis em uma sociedade aos frangalhos.
Assim como os deputados-defensores de mais verba para funcionários vagabundos, da elite que suga os cofres da Assembleia.
Dário César é só uma peça de um Governo inteiro sem ação diante do crime. Derrotado pelas circunstâncias. Amuidado pela propaganda da Alagoas cabendo em uma van, rasgando as estradas esburacadas, mostrando um punhado de vencedores.
E eles, como areia, correm por entre os dedos.
Há que se falar em um debate mais abrangente. Um observatório da violência. Uma iniciativa da OAB ou da Ufal na discussão da criminalidade. Serviços públicos funcionando, qualificando o cidadão.
Para convencer a todos - a todos mesmo- de que a violência vai além da guerra do azul e do encarnado, a um ano da votação.