O Instituto de Cardiologia do Distrito Federal divulgou, na tarde desta sexta-feira, um boletim médico sobre o estado de saúde do deputado federal José Genoíno, um dos 11 presos no último dia 15 pelo mensalão. Segundo os médicos, a hipótese de infarto foi descartada, mas Genoíno continuará internado por causa de um pico de pressão. Não há previsão de alta para o deputado.

O ex-presidente do PT sofre de problemas no coração e, segundo as informações passadas pelo seu advogado, ele teria tido um "princípio de infarto” nesta quinta-feira. De acordo com a avaliação médica divulgada nesta sexta, a alteração na pressão do paciente pode "comprometer o resultado da cirurgia de correção de dissecção da aorta" realizada em julho deste ano.

Veja, na íntegra, o boletim médico de José Genoíno:

O Instituto de Cardiologia do Distrito Federal (ICDF), informa que o paciente José Genoino Neto, com histórico clínico de hipertensão arterial sistêmica (HAS), submetido à cirurgia de correção de dissecção da aorta, em julho de 2013 e acidente vascular cerebral (AVC), em agosto de 2013, foi admitido na emergência da instituição na tarde de ontem (21/11).

Após realização dos exames laboratoriais e de imagem, foi descartado infarto agudo do miocárdio e diagnosticado elevação dos níveis pressóricos (pressão arterial), que podem comprometer o resultado da cirurgia de correção de dissecção da aorta, e alteração de coagulação secundária ao uso de anticoagulante, que aumenta o risco de sangramentos.

O paciente foi reavaliado, pela manhã, encontra-se estável e deverá permanecer internado até o controle adequado da pressão arterial e dos parâmetros da coagulação. 

Prisão e problemas de saúde
Genoíno estava recluso no presídio da Papuda, em Brasília, junto com figuras do PT também condenadas no mesmo caso como José Dirceu e o ex-tesoureiro do partido, Delúbio Soares.

Joaquim Barbosa, presidente do STF, autorizou Genoíno a ser examinado e o ex-presidente do PT foi levado para o Instituto de Cardiologia do Distrito Federal. Barbosa autorizou na tarde de ontem que se cumpra temporariamente a pena em regime domiciliar ou em hospital até que uma junta médica realize uma nova avaliação do estado de saúde do deputado.

O ex-presidente do PT, ex-guerrilheiro que combateu a ditadura militar (1964-1985), faz parte do grupo de 11 de 25 condenados do mensalão que começou a cumprir imediatamente as penas de prisão e que aguarda novo julgamento pelo crime de formação de quadrilha.

A presidente Dilma Rousseff manifestou na quarta-feira sua "preocupação" pelo estado de saúde de Genoíno, quem, explicou, toma "anticoagulantes" devido a uma "doença extremamente grave no coração".

Genoíno foi condenado a 4 anos e 8 meses de prisão por ter feito parte da rede de corrupção montada pelo PT durante o primeiro mandato do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O caso provocou a pior crise política da gestão de Lula (2003-2010).

De acordo com a decisão de Barbosa, a junta médica deverá estabelecer "se para o adequado tratamento do condenado, é imprescindível que permaneça em sua residência ou internado em uma unidade hospitalar", informou o STF em comunicado.

A decisão do Supremo foi tomada depois que a defesa de Genoíno pedisse a mudança do condenado para um "estabelecimento de prisão adequado", mais próximo de sua residência, em São Paulo, ou para que seja concedido o regime semiaberto, como consta de sua condenação.