O anestesista canadense George Doodnaught foi considerado culpado nesta terça-feira por violência sexual contra 21 mulheres, quando se encontravam indefesas pelo efeito da medicação, mas conscientes do que estava acontecendo.

Doodnaught foi acusado de beijar, acariciar e forçar sexo oral em suas pacientes no North York General Hospital, em Toronto, por um período de quatro anos que durou até 2010.

As vítimas tinham consciência do que estava acontecendo, mas não conseguiam se mexer, conforme relatado no tribunal.

A defesa alegou que as vítimas tiveram "vívidos" sonhos sexuais causados pelos sedativos, conhecidos por "pregar peças na memória". Além disso, Doodnaught não teria como violentá-las sem ser percebido pelas outras pessoas no recinto, separadas apenas por uma tela cirúrgica na sala de operações.

No julgamento, um pesquisador confirmou que as drogas podem causar alucinações. Ele declarou, porém, que é improvável que todas as mulheres, que sequer se conheciam, aparecessem com acusações parecidas contra o mesmo médico.

A acusação disse que Doodnaught era um médico experiente, conhecedor da rotina em um ocupado centro de operações e calculava seus atos de assédio para evitar qualquer detecção.

"Ele tinha controle sobre o nível de anestesia delas e saberia que elas não teriam como resistir", afirmou o juiz David McCombs, da Corte Superior de Ontário, em seu veredito.

"Ele confiou nos efeitos anestésicos das drogas para protegê-lo das reclamações", acrescentou.

Doodnaught deverá comparecer novamente perante a Justiça em dezembro para que seja estabelecida a data para o anúncio da sentença.