Foi preso em Santana do Ipanema um foragido da justiça que teria um suposto plano para matar um juiz, militares e um secretário municipal no Sertão de Alagoas. Claudevan Gomes Correia é condenado a 23 anos de prisão por um crime de latrocínio – ocorrido em 2003 – e foi localizado após dar entrada, baleado, num hospital no município.
Claudevan chegou à cidade após sofrer uma tentativa de homicídio em Pão de Açúcar. Para evitar ser reconhecido e preso, o acusado tentou ser internado na unidade hospital com os documentos do irmão. A polícia de Pão de Açúcar foi informada da ocorrência e acionou a equipe do 7º BPM que constatou se tratar do foragido da justiça.
O major Vale esteve na manhã desta quarta-feira (13) no hospital e identificou o acusado, através dos documentos. Claudevan contou ao militar que saiu para caçar acompanhado de dois homens e após um desentendimento, foi surpreendido com os disparos. “Ele chegou ao município de Santana com a irmã e foi submetido a procedimento cirúrgico. Nós o identificamos e ele está algemado. Um militar ficará em guarda até a liberação médica, quando será levado pela Polícia Civil”, contou.
O suposto plano encabeçado por Claudevan foi divulgado pelo CadaMinuto em 26 de julho deste ano, na reportagem de Gilca Cinara. Segundo denúncias de moradores de Pão de Açúcar, no sertão alagoano, um plano, que pode ser considerado audacioso, vinha sendo “anunciado” aos quatro cantos por Claudevan Gomes Correia. Ele teria uma “lista” de pessoas para executar, composta por dois policiais militares, um juiz e um secretário municipal.
Na ocasião, os nomes dos policiais militares não foram divulgados, mas as outras possíveis vítimas seriam o juiz Durval Mendonça Júnior e o secretário Cacau Correia. A reportagem teve acesso à informação após denúncias feitas por populares, que também se sentem ameaçados por Claudevan que, embora foragido, o acusado era visto frequentemente pelas ruas da cidade e tinha o “hábito” de intimidar as pessoas com ameaças de morte, caso seja denunciado. “Ele anda armado com um revólver 38 e uma espingarda 12”, informou um dos denunciantes.
O crime cometido por Claudevan chamou atenção de toda a região do Sertão na época, devido à crueldade. O funcionário público Múcio Sampaio Mendonça, foi morto a pauladas e o corpo encontrado dias depois, em estado de decomposição, na fazenda da vítima.
O CadaMinuto chegou a conversar com o magistrado, que disse, na ocasião, não ter conhecimento sobre as ameaças, mas relatou que elas poderiam ter relação com o pedido de empenho para a captura do acusado. Durval explicou que respondeu pela comarca de Pão de Açúcar durante 90 dias, durante o afastamento do juiz titular Galdino José Amorim Vasconcelos.
A Associação Alagoana de Magistrados (Almagis) também afirmou que iria investigar o fato e saber se realmente as ameaças contra o juiz têm fundamento. Após as denúncias, a Secretária de Estado da Defesa Social emitiu um ofício à polícia do Sertão de Alagoas para que as buscas por Claudevan fossem intensificadas.
As fugas e o crime
Pela morte do funcionário Múcio Sampaio Mendonça, Claudevan foi preso duas vezes, e em uma delas, conseguiu fugir quando estava sendo transferido para o presídio Baldomero Cavalcante, em Maceió.
As investigações apontaram que a vítima teria sacado R$ 10 mil reais e guardava a quantia em casa. O acusado seria amigo íntimo de Múcio e por isso teria acesso fácil à residência.
Em 2003, Claudevan Gomes foi preso, mas conseguiu fugir do Presídio de Arapiraca. Em 2010, ele foi julgado a revelia e está foragido até esta data.
