A Diretoria de Vigilância em Saúde (DVS) e a Coordenação do Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) de Maceió se reuniram, na última segunda-feira (11) com os supervisores de vacinação do município para definir as estratégias a serem desenvolvidas (nº de vacinadores, locais de vacinação, cronograma da área rural, etc.) na Campanha de Vacinação Antirrábica, que acontece na capital alagoana entre os dias 18 e 30 deste mês.

Realizada com o objetivo de impedir a circulação do vírus (Rhabdovírus) da raiva na população canina e felina, a campanha tem como meta imunizar 130 mil animais, sendo 100 mil cães e 30 mil gatos. A ação será iniciada pela área rural do município, em localidades consideradas mais distantes ou de difícil acesso, com a vacinação dos animais sendo realizada por agentes de endemias nas residências. A partir do primeiro dia de campanha, a vacinação será feita também no CCZ, localizado no Loteamento Campos dos Palmares, na Cidade Universitária.

No Dia D da campanha, marcado para o dia 30 de novembro, serão disponibilizados, das 8h às 17h, cerca de 180 postos de vacinação espalhados pela cidade, instalados nas unidades de saúde e em locais como escolas e associações de moradores, facilitando o acesso à imunização dos animais. Para atingir a meta, a SMS estará mobilizando na ação 600 vacinadores, 12 Médicos Veterinários e 40 supervisores, além do pessoal de apoio.

“Em todo o país, a proximidade de animais domésticos com animais silvestres como morcegos, saguis e raposas, vem aumentando o risco de circulação do vírus e resultando no aparecimento de casos de raiva humana, como os que ocorreram nos municípios de São José do Ribamar e Humberto de Campos, no Maranhão, e Parnaíba, no estado do Piauí, por isso é tão importante manter os animais de nosso convívio imunizados, quebrando assim o elo dessa cadeia de transmissão”, explica o Coordenador das Ações de Controle da Raiva do CCZ, Charles Nunes e Silva.

Charles reforça que, em Alagoas, o último caso de raiva humana foi registrado em 2006, no município de Porto de Pedras, tendo a transmissão do vírus sido feita através de morcego. No que se refere à raiva canina e felina, o CCZ de Maceió diagnosticou os dois últimos casos no ano passado, na cidade de Marechal Deodoro, estes com a transmissão feita por uma raposa (Cerdocyon thous). Já em Maceió, os últimos registros são de 2009.

Este ano, a Campanha de Vacinação Antirrábica de Maceió terá um componente diferenciado. Todo o processo será acompanhado, entre os dias 28 e 30 de novembro, por uma Comissão de Técnicos do Centro de Controle de Doenças (CDC) da China, que virá a Maceió para conhecer como o procedimento é feito no Brasil. A visita técnica foi intermediada e programada pelo próprio governo federal, por meio do Ministério da Saúde.

Doença

A raiva é causada por um vírus (Rhabdovírus), que se multiplica e se propaga, via nervos periféricos, até o sistema nervoso central, de onde passa para as glândulas salivares, nas quais também se multiplica. A forma mais comum de transmissão é através de contato com saliva de animal raivoso, seja por mordeduras ou lambeduras de mucosa e, até mesmo, por arranhaduras. Em áreas urbanas, o cão é o principal responsável pelas transmissões (quase 85% dos casos), seguido do gato.

O período de incubação da doença, no homem, varia de duas a dez semanas. Uma vez infectado, não há tratamento específico e a letalidade é de 100%. O tratamento aplicado visa minimizar o sofrimento do paciente. Por seu caráter incurável, é imprescindível a realização da vacinação em gatos e cães.