O deputado federal licenciado José Genoino (PT-SP) apresentou nesta sexta-feira recurso  ao Supremo Tribunal Federal (STF) contestando sua condenação no julgamento do mensalão. Genoino voltou a dizer que é inocente das acusações de formação de quadrilha e corrupção passiva, atacou o delator Roberto Jefferson e citou trechos de uma música de Chico Buarque na tentativa de reverter a decisão que pode levá-lo a cumprir 6 anos e 11 meses de prisão.

Em vários trechos do documento de 25 páginas, o advogado Luiz Fernando Pacheco exalta o caráter honesto de Genoino e afirma que o ex-presidente do PT "não merece a pecha de bandoleiro” nem "aceita e jamais aceitará sua condenação" pelo tribunal, embora a respeite. O defensor acrescenta que Genoino "brigará, hoje e até o fim de sua existência, todo dia, toda hora, todo mês e sempre" pela sua inocência.

"O réu está condenado pela alegada, enquanto fantasiosa, prática de corrupção ativa. Não se  resigna e nem nunca se resignará. Não aceita e jamais aceitará sua condenação por este pretório excelso. Respeita. Respeita e fortemente brigará, hoje e até o fim de sua existência, todo dia, toda hora, todo mês e sempre. E se antes de conhecer Justiça vier a perecer, tem certeza e confiança de que sua descendência continuará , em seu nome e por seu nome, clamando”, escreveu Pacheco. Genoino está de licença médica da Câmara desde setembro e entrou com pedido de aposentadoria por invalidez.

No recurso, a defesa citou trechos da música “Canción por la unidad latinoamericana”, interpretada por Chico Buarque e Milton Nascimento, fazendo um paralelo com o perfil guerrilheiro de Genoino. “Quem pagará o pesar do tempo que se perdeu, das vidas que custou, das que poderá custar. Pagará a unidade dos povos em questão, e a quem negue isso a História condenará”, diz a canção.

O advogado ainda classifica o mensalão de "maior ficção da história brasileira, urdida pelo maligno rancor de Roberto Jefferson” e argumenta que Genoino, o ex-ministro José Dirceu e o ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares se associaram não para cometer crimes, para “por um mesmo e único projeto político para este País”. Sobre as reuniões com outros líderes partidários, Pacheco afirma que os encontros ocorriam visando apoio ao governo e que isso "não constitui, por óbvio, a prática de qualquer ilícito”.

A defesa pede para que os dois novos ministros do Supremo votem a favor da absolvição no crime de quadrilha, o que reduziria a pena de Genoino para 4 anos e 8 meses. Teori Zavascki e Luiz Roberto Barroso não participaram da primeira fase do julgamento, que condenou o deputado. Durante a análise dos chamados embargos de declaração, Barroso chegou a elogiar Genoino, um homem que, segundo o ministro, "jamais lucrou com a política”.

"Para ser bastante direto e franco: estes embargos, no ponto em comento, mais do que exaltar os escorreitos votos, mais do que pretenderem conquistar coração e mente dos festejados novos membros, mais do que tudo isto junto, pretende reavaliar, reapreciar, reavir, revisar, rebalizar, em outra palabra, evoluir em seu veredito", afirma o advogado.