Dirigentes sindicais das Assembleias Legislativas de todo Brasil estão reunidos em Maceió participando do 31º Encontro Nacional dos Servidores dos Poderes Legislativos, que acontece de 6 a 8 de novembro. Com o lema “Pelo Fortalecimento Legislativo”, o evento é promovido pela Federação Nacional dos Servidores dos Poderes Legislativos Federal, Estaduais e do Distrito Federal (Fenale), e tem como objetivo principal estreitar o relacionamento entre as entidades do país.
A solenidade de abertura foi realizada no plenário da Casa Tavares Bastos e presidida pelo deputado Gilvan Barros. Na ocasião, as entidades representativas de Alagoas fizeram uma breve explanação da atual situação em que os servidores estão vivendo.
“Esse é um momento ímpar no Estado, principalmente na ALE, pois estamos passando por uma turbulência, mas, como guerreiros que somos, vamos conseguir mudar essa situação. Esta semana, num ato de coragem, reunimos mais de 200 servidores mostrando a cara e o descontentamento com a Mesa Diretora e com o procurador Fábio Ferrario. Vamos continuar lutando para que, no final, os servidores saiam vencedores”, declarou o presidente do Sindicato dos Trabalhadores do Poder Legislativo de Alagoas (Stplal), Luciano Vieira, que aproveitou a oportunidade para ressaltar que o evento da Federação seria realizado no Espírito Santo, porém, devido ao momento problemático que está acontecendo em Alagoas, o encontro veio para cá.
João Moreira, presidente da Fenale, garantiu que esse encontro irá criar um fato político importante aqui. “Esse é um momento singular. Certamente sairemos mais experientes”, garantiu.
À tarde, aconteceu um dos momentos mais esperados do encontro, conhecido como “Pinga-fogo”, no qual os representantes sindicais de todo o país puderam expor suas críticas e sugestões sobre os Poderes Legislativos.
A situação explanada pelos sindicalistas era comum à maioria dos dirigentes: questões de planos e carreiras e a luta por concurso público.
O presidente do Stplal ressaltou que os problemas dos servidores em Alagoas tiveram início com a criação do duodécimo, cuja verba é de R$ 11,8 milhões mensais. “Os parlamentares acham que o dinheiro é deles. Essa verba é liberada no dia 20 de cada mês, mas eles se apossam e tiram a verba do gabinete, pagam os comissionados e o que sobra é para passar aos servidores. Outro grande absurdo foi a criação de um subteto: os servidores só podem receber até R$ 9.600,00; já os comissionados têm salários acima de R$ 20 mil. Somos 1300 servidores ativos, inativos e aposentados, enquanto comissionados são dois mil”.
Vieira destacou ainda problemas estruturais, como a falta de material de limpeza, inclusive papel higiênico, e a precariedade do protocolo, que ainda é manual e feito com máquina de datilografia, que quebrou recentemente.
Dentre as realidades mais preocupantes está também a de Roraima, onde, num universo de mais de 3 mil funcionários, apenas 60 são efetivos e os demais comissionados.
Mas também há bons exemplos vindos da Paraíba. Lá os servidores conquistaram, por exemplo, vale alimentação no valor integral de R$ 900,00; 80% do plano de saúde sendo custeado pela ALE, creche de primeiro mundo que atende aos filhos dos servidores, distribuição de medicamentos contínuos, dentre outros benefícios.
Os deputados Ronaldo Medeiros, Judson Cabral e João Henrique Caldas estiveram presentes e manifestaram apoio à categoria. “Sou apontado por ser o causador de tudo – referindo-se às denúncias feitas ao Ministério Público Estadual – mas me sinto honrado por isso”, enfatizou JHC.
Novas manifestações
Nos dias 7 e 8 as discussões serão realizadas no Hotel Marinas, na Jatiúca. No entanto, na tarde desta quinta-feira, as entidades participantes do Encontro, num apoio aos servidores legislativos de Alagoas, vão se manifestar em frente à Casa Tavares Bastos. Os dirigentes sindicais também devem reunir-se com alguns parlamentares e entregar à deputada Flávia Cavalcante, que assume a presidência da ALE interinamente, alguns documentos reivindicando melhorias para o funcionalismo.