Apesar da falta de quórum para realização da sessão, o clima “ferveu” no plenário da Casa de Tavares Bastos nesta quarta-feira (30), quando os deputados repercutiram, entre eles e com a imprensa, a solicitação feita pelo Ministério Público Estadual (MPE) à Justiça pelo afastamento da Mesa Diretora da Assembleia Legislativa de Alagoas (ALE).
João Henrique Caldas, o JHC (Solidariedade), autor das denúncias de irregularidades na movimentação financeira do Poder Legislativo, disse que encarava com naturalidade a adoção das medidas acautelatórias por parte do MPE. Ele afirmou que o pedido de afastamento pode ter sido necessário em razão de supostas denúncias de que a Mesa Diretora estava destruindo provas: “Se a destruição de provas for configurada, trata-se de uma atitude antidemocrática que deve ser investigada também”, frisou.
Judson Cabral (PT) concordou que a intervenção do Ministério Público é necessária e que o clima é de apreensão entre seus pares. “Queríamos evitar que chegasse a esse ponto, por isso solicitei tantas vezes o afastamento voluntário da Mesa Diretora. Entendo que agora o colegiado deve se reunir para tomar as decisões necessárias em função das denúncias tornadas públicas. O Poder Legislativo está em situação crítica”, destacou o petista.
Na ausência do presidente Fernando Toledo (PSDB), Jota Cavalcante (PDT) e Dudu Hollanda (PSD), respectivamente 3º vice-presidente e 4º secretário, se pronunciaram sobre o assunto que dominou as conversas de bastidores nesta tarde.
Cavalcante negou a hipótese levantada por JHC de que os deputados estejam eliminando provas e defendeu que não há motivos para o pedido de afastamento formulado pelo MP, já que a Casa entregou todos os documentos que foram solicitados pelos promotores. O parlamentar confirmou que a Mesa Diretora ainda não foi notificada oficialmente acerca do pedido de afastamento e descartou a possibilidade de renúncia coletiva.
Dudu Hollanda concordou com o colega sobre a “ausência de indícios para o pedido de afastamento”, mas defendeu que, caso a justiça acate a solicitação do MPE, a decisão só deveria atingir os titulares da Mesa Diretora, poupando ele, Sérgio Toledo (2º vice-presidente), Jota Cavalcante e Antonio Albuquerque (vice-presidente). Ainda segundo Hollanda, o grupo “poupado” poderia até ocupar os cargos dos colegas que fossem afastados.
Eduardo Fernandes, presidente da Associação dos Servidores da ALE (Assala), disse que a categoria - que esteve reunida nesta manhã - não ficou surpresa com o pedido de afastamento. “A decisão do MP mostra que há indícios de alguma coisa irregular. Agora, quem sabe o procurador da Casa passe a cumprir seu papel de defender a Mesa Diretora ao invés de promover uma caça às bruxas com os servidores”, alfinetou, se referindo a Fábio Ferrario.
Segundo o sindicalista, os servidores marcaram uma nova assembleia para a próxima terça-feira (05), mas, até lá, tudo pode mudar caso o comando do Poder Legislativo seja afastado.






