Em 1994 Divaldo Suruagy foi eleito para o seu terceiro mandato de governador. Para isso, construiu uma unanimidade em torno de sua candidatura inimaginável. Tamanha engenharia política que juntou cobra, sapo, jacaré e DEUS e o diabo em um só palanque e numa administração, somada a sua incapacidade de perceber e enfrentar a grave crise econômica e financeira que atingia o Estado foi os ingredientes explosivos que levaram a mais completa derrocada um dos maiores políticos da história alagoana, em 1997. Sobrou-lhe o ocaso.
Tão recente lição parece ainda não ter sido compreendida por políticos alagoanos de grande projeção e influência na política brasileira. Refiro-me ao senador Renan Calheiros (PMDB), presidente do Senado Federal.
Ao jogar a decisão de anunciar se é ou não candidato ao governo de Alagoas para o ano que vem, Renan age com sabedoria. Porém, peca ao demonstrar que pretende alinhar em torno de sua candidatura partidos e personalidades que fazem oposição a presidente Dilma Rousseff.
O que parece estar em jogo, inicialmente, é a construção do palanque da presidente em Alagoas. Portanto, fica difícil compreender qualquer possibilidade de que o PSDB do governador Vilela participe de um possível grupo de apoio ao senador. Afinal de contas, em pleno período eleitoral será que Dilma subirá no palanque que conta com o apoio dos tucanos?
Embora cada estado tenha suas especificidades durante o período eleitoral na formação do bloco de alianças, e ninguém governa nem chega a lugar nenhum sem alianças e sem concessões, esse retrato está bem claro e sem subterfúgios, pelo menos por enquanto.
Aqui mesmo neste blog o governador Ronaldo Lessa já anunciou que se ocorrer aproximação com Vilela o grupo de oposição implode. E, neste domingo (27), na coluna de Ilimar Franco, do O Globo, surge outro problema para Renan Calheiros resolver. Confira abaixo:
Dá ou desce
O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB), está levando uma dura do PT. Os petistas estão dispostos a apoiar o PMDB para o governo de Alagoas, desde que ele seja o candidato. Mas foi advertido que se a tarefa ficar com o deputado Renan Filho, o PT não tem como não compartilhar o palanque da presidente Dilma com o do candidato do PP ao governo, senador Benedito de Lira.
Daí fica claro - ou será que escurece? - que o senador, se não quer ser ele mesmo o candidato, pretende indicar e apresentar um nome para que seja aceito pela oposição?
Que as lições vividas por Divaldo Suruagy sejam lembradas.