Rodeado por água doce e salgada, entre o mar e a lagoa, e dono de visão privilegiada das belezas naturais da capital, o bairro do Pontal da Barra se desenvolveu ao longo dos anos. A sua origem teve início com a morada de alguns pescadores, que buscavam na Lagoa Mundaú tirar o sustento da família. Sem perder essas características, o Pontal, assim conhecido pelos moradores, já foi um dia uma Vila de Pescadores. No meio de tanta beleza, o ponto turístico mais visita de Maceió, traz consigo uma realidade de contraste.

Moradores antigos contam que a antiga Vila surgiu muito antes de Maceió se tornar capital da província. A única Avenida, denominada de Alípio Barbosa, é em homenagem ao primeiro empresário que lá instalou o primeiro restaurante de comidas típicas. A rua estreita e ocupada por artesãos, pescadores, bares e restaurantes, sempre está ‘supermovimentada’ de turistas e moradores. Os becos também guardam o romantismo do lugar, com gente nas calçadas, jogando conversa fora ou fazendo a confecção de produtos artesanais.

Se por um lado o bairro é rico nos aspectos naturais, no outro a infraestrutura deixa muito a desejar. O Pontal da Barra surgiu da união de gente humilde e atualmente sobrevive dessa união pela sobrevivência. Praça central e casas pequenas também são algumas das características que fazem parte do dia-a-dia. O comércio funciona diariamente, das 9h às 18h. O pôr do sol na região é um belo programa. A fé católica é bem visível na adoração ao padroeiro do bairro, São Sebastião, em janeiro quando fiéis vãos as ruas para acompanhar a procissão.

Além dos restaurantes, que ofertam uma gastronomia espetacular, a Avenida Alípio Barbosa também é ocupada pelas rendeiras. Nas calçadas, entre linhas e agulhas, elas confeccionam roupas, caminho de mesa, biquínis, e encantam os turistas que visitam o local com a delicadeza e habilidade de montar as peças.  Umas dessas rendeiras, personagem marcante do Pontal da Barra, é a aposentada Otília Maria. Aos 70 anos ela produz e vende suas peças de filé na porta de sua casa. Ela aprendeu a bordar sozinha observando as vizinhas nas calçadas e hoje produz peças em filé. “Tinha oito anos quando comecei a fazer meus bordados. O primeiro foi redendê e o ponto de cruz. Depois fui aprendendo a fazer outros pontos e assim fui vivendo”.

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