Menos gols, menos assistências e, possivelmente, menos permissão para arriscar. Em seus primeiros dez jogos como titular do Barcelona, sequência completada com atuação apagada contra o Milan na terça-feira, Neymar exibe um repertório diferente em relação à Seleção Brasileira. Algo que faz parte de sua aguardada adaptação à Europa e, mais precisamente, ao chamado "Mundo Barça". 

É bem provável que os números destoantes entre o Neymar da Seleção e o Neymar do Barcelona tenham relação direta com sua postura na chegada ao novo clube. Em uma equipe que tem Lionel Messi como sua máxima referência, o brasileiro acostumado ao protagonismo se comporta como coadjuvante. Sandro Rosell, presidente do Barça, teria aconselhado paciência e discrição. "Pouco a pouco, será o número um", sugeriu. Algo que, ao contrário de Robinho há oito anos, ele jamais admitiu querer.

Desde suas primeiras declarações, Neymar adotou cautela para causar o menor alvoroço possível no Barcelona. Foi introduzido por Daniel Alves, uma das lideranças do vestiário. Disse que trabalharia para Lionel Messi continuar como o melhor do mundo, mas, segundo o jornal El País, irritou o argentino. "Que fale menos de mim, não fala boludeces (termo argentino, algo como bobagens) e diga que vem para ganhar títulos", afirmou Messi, de acordo com a publicação.